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Uma tarde com Frida e suas amigas

Quem escreveu

Alecsandra Matias

Data

10 de December, 2015

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Desdobramento inesperado da Revolução e do muralismo mexicano, a obra de Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, ou simplesmente Frida Kahlo, desperta curiosidade, estranheza e perplexidade. Para compreender sua arte é preciso entender a mulher Frida. Sua pintura está envolta por acontecimentos dramáticos: aos 6 anos de idade, é vítima de poliomielite; aos 18 anos, sofre um acidente brutal de bonde. Ainda mais conturbada é sua vida sentimental: casa-se, por duas vezes, com Diego Rivera, cerca de 20 anos mais velho; assumidamente bissexual, mantém tórridos casos amorosos, tendo León Trotsky como um de seus amantes mais famosos. Militante comunista e agitadora cultural, Frida usa tintas fortes para se expressar através de suas telas, na maioria autorretratos, uma trajetória cercada por dores e dramas emocionais.

Foto da autora
Foto da autora

Por que Frida é tão perigosa? Um dos ícones da cultura pop, tal como Marilyn Monroe, Elvis Presley e Che Guevara, a artista mexicana representa a força, a dor e a paixão da mulher latina. Também é uma das pintoras mais bem-sucedidas da História da Arte: expôs seus trabalhos nos EUA e na França, além de ser a primeira latino-americana a vender uma tela por US$ 1 milhão. A própria imagem da artista evoca ousadia jamais vista no universo feminino até então. Fugindo dos padrões hollywoodianos, com sobrancelhas e buço marcados, ela se veste com trajes típicos da cultura tehuana (saias, coletes, xales repletos de detalhes coloridos e floridos), da região Oaxaca, no Sul do México, onde predomina o sistema matriarcal. Seu comportamento influencia a moda e, mais ainda, as reflexões sobre os novos papéis da mulher na sociedade atual.

 

Instituto Tomie Ohtake (Divulgação)
Instituto Tomie Ohtake (Divulgação)

Depois desta breve narrativa sobre a vida de Frida, chega-se à conclusão de que ela está à frente de seu tempo e que não conheceu outras revolucionárias semelhantes. Ledo engano! A exposição Frida Kahlo – Conexões entre Mulheres Surrealistas no México, exibida no Instituto Tomie Ohtake, revela uma rede de mulheres portadoras de armas igualmente perigosas na Europa, no México e nos Estados Unidos. São mulheres artistas mexicanas e estrangeiras vinculadas ao surrealismo e que têm em Frida a figura central de suas produções.

Foto da autora

Foto da autora

María Izquierdo, Lola Álvarez Bravo, Remedios Varo, Alice Rahon, Lenora Carrigton, Kati Horna, Rosa Rolanda, Bridget Tichenor, Jacqueline Lamba, Sylvia Fein, entre outras, são as amigas de Frida que compartilham em seus trabalhos as mesmas preocupações da artista, ou seja, o resgate das raízes populares mexicanas e as dores do universo feminino. Além disso, Frida foi modelo para muitas pinturas e fotografias dessas artistas. Tudo traduzido pela linguagem surrealista, pelo onírico e pela subjetividade. Entre pinturas, esculturas, fotografias, catálogos, vestimentas e documentos que integram a mostra descobre-se um mundo inquietante que contextualiza o ícone Frida Kahlo e outras personagens tão intensas quanto ela são reveladas. Por último, vale lembrar que no Brasil não há qualquer museu público que mantenha em seu acervo obras de Frida ou de suas amigas. Na verdade, Frida Kahlo realizou somente 143 pinturas até sua morte em 1954. Algumas de suas telas mais conhecidas podem ser admiradas nessa exposição. E por tudo isso, reservar uma tarde para estar com Frida e suas amigas no Instituto Tomie Ohtake vale a espera na fila!

Serviço

De 27 setembro de 2015 a 10 de janeiro de 2016

Terça a Domingo das 11h às 20h

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 – Pinheiros – São Paulo/SP

 

Foto destaque: www.comoagentevoa.com.br

Quem escreveu

Alecsandra Matias

Data

10 de December, 2015

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Alecsandra Matias

Rata de galerias e museus, não perde a oportunidade de ir procurar aquela tela, escultura ou monumento famosos que todos só conhecem pelos livros.

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