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Os tesouros de Bagan

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

27 de February, 2015

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Quando o avião começa a aterrissar no aeroporto Nyaung-U, você já começa a ficar sem fôlego com a paisagem. Chegamos a tempo de ver os balões colorindo o céu enquanto o sol ia despontando no infinito. Bagan é dourada. É essa certeza que você tem ao chegar voando na cidade.

O aeroporto é pequeno, rústico e lotado. Você desce do avião e segue caminhando até o saguão para aguardar sua mala, que é trazida nas mãos por carregadores. A primeira coisa a fazer ao sair do desembarque é pagar a taxa de US$ 20 ou 20 euros, você escolhe, para poder transitar no Parque Arqueológico de Bagan. Obrigatório.

Táxis aos borbotões com motoristas trajados em saias (longyi) e chinelos, muitas vezes mascando Paan (com nóz de betel) e sorrindo com seus dentes avermelhados. Não tem negociação, a tarifa é dada, malas guardadas e em menos de 15 minutos já estávamos no nosso hotel, onde fomos recebidos como reis.

a folha utilizada para enrolar o Paan - foto Lalai Persson
a folha utilizada para enrolar o Paan – foto Lalai Persson

A manhã estava fresca e ensolarada. O quarto não estava pronto. Largamos as malas, dispensamos o café da manhã, pegamos duas bicicletas emprestadas e fomos nos aventurar com um mapinha nas mãos no centro de Nyaung-U. São menos de 3 quilômetros separando o centrinho do hotel. Para chegar lá uma estrada estreita cercada por árvores, formando um túnel e uma bela paisagem. Ao lado algumas pagodas abandonadas e nada mais. Tudo já parecia incrível.

O Renato no caminho do hotel à cidade - foto Lalai Persson
O Renato no caminho do hotel à cidade. Foto: Lalai Persson

Chegamos na cidade e ela parecia ainda estar acordando. Na rua mulheres e crianças monges (ou freiras) vestidas de rosa claro batiam nas casas e comércios em busca de doações, especialmente de comidas, levadas no alto da cabeça dentro de um cesto que é colocado acima de um o tecido que serve como suporte. Elas estão em todos os lugares sempre com esse pano laranja escuro na cabeça raspada. Essas monges não realizam cerimônias. Elas dão aula, cozinham, estudam e fazem limpeza. A idade delas varia entre 9 e 90 anos e o motivo que as levou a escolher essa vida é, muitas vezes, fugir da miséria e do abuso.

Monges (ou freiras) que nos deparamos na nossa primeira manhã em Bagan. Foto Lalai Persson
Monges (ou freiras) que nos deparamos na nossa primeira manhã em Bagan. Foto: Lalai Persson

Pedalamos com desenvoltura entre as motos, caminhonetes, lotações, charretes e caminhões. A cidade de Nyaung-U é pequena e simples. Nas ruas alguns turistas jovens pedalando pra cá e pra lá. A atração dessa parte da cidade fica mesmo com o mercado de alimentos Mani Sithu, que vende de tudo. É o supermercado do bairro, mas num formato de mercado de rua.

Passeando pelo centro de Nyuang-U - foto Lalai Persson
Passeando pelo centro de Nyuang-U. Foto: Lalai Persson
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Mani Sithu Market – foto Lalai Persson

Voltamos animados para o hotel, com a sensação que tínhamos bastante para ver. E tínhamos mesmo. No período da tarde fomos de táxi até Old Bagan para visitar os templos em volta do Ananda, um dos mais conhecidos. Em Old Bagan há o maior mercado aberto da região que conta com grandes tendas vendendo tudo o que se possa imaginar, inclusive móveis, tapetes, vasos gigantescos. É um labirinto interminável. Passeamos por ele, visitamos o templo Ananda, a região em volta e acabamos o dia sentados em cima da pagoda Shwe Sandaw, onde eu chorei com o por do sol.

a galera pendurada na pagoda esperando pelo por do sol - foto Lalai Persson
a galera pendurada na pagoda esperando pelo por do sol – foto Lalai Persson

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Quando o espetáculo acabou, foi a hora de retornar ao hotel. Não imaginávamos o trabalho que seria. Foi impossível pegar um táxi no pé da pagoda, pois todos estavam ocupados. A noite caiu sobre nós assim que chegamos na estrada, onde fica a entrada da parte murada da cidade, onde achamos que seria possível consegui um táxi. Foi impossível. O que restou foi uma charrete e lá fomos nós tentar. O valor era 15.000 kyats (15 dólares), que eu achei caro. Depois de tanto choro, fechamos por 11.000, subimos na charrete e percorremos os 8km até o hotel numa escuridão absurda. Imagina percorrer 8km numa charrete? Parecem ser 30. O nosso charreteiro abriu o teto dela e em cima de nós era possível ver a via láctea de tão estrelado que estava o céu. O barulho da sola do casco do cavalo batendo ritmicamente no chão, algumas buzinas vindo atrás de nós e, então, o silêncio absoluto. Foi tão mágico quanto ver o por do sol. O nosso charreteiro contava-nos histórias da cidade e ria conosco. Ao final, acabamos pagando 12.000, pois ele de fato merecia (até mais).

No dia seguinte acordamos às 5h da manhã com um frio na barriga. Seria nosso passeio de balão, o qual esperávamos pra lá de ansiosos. Se já tinha sido puro deleite ver os templos espalhados por todos os cantos enquanto passeávamos com nossas bicicletas, imagine vê-los todos em cima de um balão. Foram 40 minutos flutuando totalmente sem fôlego e sem saber direito em qual direção olhar. Voar de balão é sempre uma experiência difícil de traduzir. Ao final do vôo, crianças locais nos esperavam gritando e pulando ansiosas dentro de seus pijamas para nos receber, enquanto eu chorava baixinho por trás dos meus óculos escuros. Depois conversei com um dos pilotos e ele me contou que, quando sobra tempo, fazem vôos para levar a equipe que trabalha com eles em terra que, na maioria, nunca voou e, quando sobram dias livres, levam crianças ou pessoas da região. Deve ser lindo.

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Nosso passeio de balão. Foto: Lalai Persson
Eu com a criançada pós vôo de balão
Eu com a criançada pós vôo de balão
Quando eu já tinha conquistado a criançada e ficava fazendo eles pularem - foto Lalai Persson
Quando eu já tinha conquistado a criançada e ficava fazendo eles pularem. Foto: Lalai Persson.

Já de volta ao hotel, pegamos nossa bicicleta elétrica (meu eterno pesadelo) para fazer nosso próprio tour de templos. Ao contrário da maioria das pessoas, decidimos fazer tudo por nossa conta e foi a coisa mais legal que fizemos. Claro que a gente se perdeu, eu me acidentei várias vezes (8 quedas), atolei na areia tentando chegar em um templo, morri de calor, de sede e achei que fosse morrer por ali sendo encontrada tempos depois, totalmente esturricada pelo sol com a minha motoquinha em cima de mim. Sobrevivi, mesmo que com hematomas em lugares inimagináveis, dores na perna e tensão nos braços. Definitivamente sou uma pessoa completamente desequilibrada, mas tentei e valeu cada roxinho. No meio da tarde já tínhamos feito a volta completa em Bagan. Acabamos indo almoçar no Palácio em Old Bagan, que é um lugar bem sem graça. Pode dispensa-lo caso alguém o sugira como opção de passeio.

Eu tentando pilotar minha motinho - foto Renato Salles
Eu tentando pilotar minha motinho. Foto: Renato Salles

Terminamos o dia à beira da piscina com nossa cerveja Myanmar bem gelada, corvos sobrevoando à nossa volta enquanto assistimos a noite cair já lamentando nossa partida no dia seguinte às 6h30 da matina. Nós passamos apenas 3 noites em Bagan, sendo 2 dias inteiros. Eu recomendo pelo menos 3 dias (4 noites) para poder também visitar o Mount Popa, que fica a 50km de Bagan, além de poder experimentar um pouco mais da cidade.

Áreas de Bagan

Bagan é extremamente turística, rústica e pobre (como todo o país). A cidade é dividida em 3 partes, todas relativamente pequenas e não há lugares realmente “longe” ou “ruim” para ficar. A cidade dorme cedo. Jantar é até 20h30. Durante o dia é quente como o deserto, enquanto à noite a temperatura cai drasticamente. As 3 áreas são:

Old Bagan - foto Lalai Persson
Old Bagan. Foto: Lalai Persson

– Old Bagan, onde tem a maior concentração de templos, incluindo os principais, o maior mercado aberto da região, alguns restaurantes e o palácio. Não há quase hotéis e nem é o melhor lugar para se hospedar na cidade. Porém, foi um lugar que acabamos indo por 2 dias seguidos, justamente porque é lá o burburinho diurno. À noite, o lugar praticamente “morre”.

– New Bagan, onde você encontra alguns restaurantes, hotéis e é uma boa opção para se hospedar, mas não a melhor.

– Nyaung-U, a área ao redor do aeroporto, onde nos hospedamos no Amazing Bagan Resort, apesar dele ficar fora da cidade e da estrada principal. Tem várias lojinhas, comércio, um mercado de comida, bares (não se anime, pois eles não fecham muito tarde) e restaurantes.

Onde ficar

A região de Nyaung-U é provavelmente a melhor escolha, pois é onde ficam os restaurantes e bares. Poder frequenta-los à noite sem precisar de táxi é uma benção. Saímos um dia pra jantar e tivemos que marcar horário para o taxista nos pegar, senão corríamos o risco de ter que voltar a pé para o hotel. E não era perto.

O Amazing Bagan Resort foi escolhido um pouco no escuro, pois programamos a viagem para Mynmar sem muita programação pela falta de tempo na época. Ele foi uma boa escolha, mas não exatamente pela localização, pois fica realmente isolado do mundo e tem como grande atração um campo de golf, mas pelo serviço impecável e conforto. O café da manhã foi um dos melhores que experimentei na minha viagem à Ásia, além de ser servido numa área externa do hotel bem agradável, de onde você não quer sair. Os quartos são amplos, arejados e bem equipados. Frutas frescas são servidas diariamente no quarto sem custo adicional. Há também uma grande piscina com serviço de bar, um bom restaurante e, claro, como todos os hotéis locais, ele oferece uma gama de passeios e auxilia em tudo que você precisar. Eles conseguiram cancelar nosso passeio de balão porque eu agendei para o dia errado e conseguiram um novo passeio com outra companhia em cima da hora (algo bem raro), alugaram e-bike para nós que foi entregue no hotel, o que é  literalmente uma mão na roda. Para quem quer conforto, comer bem e ter uma boa infra-estrutura para curtir, o hotel é uma ótima opção.

Amazing Resort Bagan
Amazing Bagan Resort

Um outro hotel que nos recomendaram foi o Zfreeti Hotel, que é um pouco mais simples, mas tem ótima localização, pois dá para ir a pé aos restaurantes e bares. Resorts também não faltam em Bagan. É só escolher o seu. A possibilidade de ficar num lugar ruim é pequena.

O que fazer

Voar de balão

Caso vá fora da época de chuvas, fazer o passeio de balão é obrigatório. É caro, mas é um passeio belíssimo feito no início da manhã quando o sol está nascendo. O tipo de programa em que as lágrimas teimam em escorrer quando você voando. Nós passeamos com a Golden Eagle, empresa suíça de balão recém chegada na cidade. A nossa pilota, uma das sócias da empresa, era incrível e divertida. Como todo passeio de balão, rola um café da manhã antes de partir, vôo com duração de mais ou menos 40 minutos e depois champagne e frutas para celebrar o momento mágico. O nosso pós foi esticado por pelo menos 1 hora, pois a equipe estava auxiliando baloeiros menores que não tinham um time para ajuda-los a aterrissar. O resultado foi muito champagne extra e um ótimo bate-papo com pessoas incríveis que voaram conosco, além dos baloeiros. No meu caso, eu me diverti  mesmo com as crianças ao ensinar para elas caretas e saltos durante uma foto.

O preço do vôo mais caro é US$ 380, pagos em dinheiro vivo, num balão para apenas 8 pessoas, o que é ótimo, porque ninguém fica brigando pela melhor vista. Qualquer lugar é bom. Além deles, há mais 2 companhias e todas bem recomendadas. Quem não está muito aí com conforto, pode economizar 60 doletas no passeio num balão para 12 pessoas.

O passeio sobrevoa toda a área de Old Bagan oferecendo uma visão perfeita da região. Curiosidade: quando subimos percebemos uma névoa muito baixa, que descobrimos ser fumaça de fogueiras feitas pelos moradores para poderem se aquecer do frio. Bagan é praticamente um deserto. A região é árida e terrosa. Durante o dia a temperatura vai nas alturas, mas à noite ela despenca. Pela manhã é comum que o termômetro marque 9ºC.

Nossa vista do balão - foto Lalai Persson
Nossa vista do balão. Foto: Lalai Persson
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A vista do nosso balão. Foto: Lalai Persson
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Já uma dezena de pagodas vista num só olhar. Foto: Lalai Persson
Renato saindo do balão e a nossa super pilota atrás - foto Lalai Persson
Renato saindo do balão e a nossa super pilota atrás. Foto: Lalai Persson

Ver o por do sol sentado em cima de uma pagoda

Outro programa obrigatório em Bagan é assistir o por-do-sol. Na região de Old Bagan ficam as grandes pagodas com escadas, possibilitando escalá-las. É chegar, subir, escolher um lugar para sentar e ficar lá, contemplando um dos pores do sol mais lindos que já vi. A procissão das áreas urbanas em direção às pagodas começam entre 16h30 e 17h, já que o horário do sol se por na época em que fomos era por volta das 18h. As pagodas lotam. Acabamos escolhendo a Shwe Sandaw Pagoda e conseguimos um “bom lugar” para assistir ao espetáculo.

Nosso por-do-sol em Bagan - Shwe Sandaw Pagoda - foto Renato Salles
Nosso por-do-sol em Bagan – Shwe Sandaw Pagoda. Foto: Renato Salles

Visitar templos e pagodas

Quem vai a Bagan, vai para ver templos, a maioria construída entre os séculos X e XII. Na época foram levantados cerca de 10.000 templos e pagodas, hoje existem cerca de 2.000, alguns em estado de deterioração. Não tem outra coisa para ver lá. É entra e sair de templo, por isso vá com um tênis confortável e disposição, porque você vai andar bastante, preferencialmente um que seja fácil de tirar e calçar. Lembre-se também das vestimentas necessárias para entrar num templo: nada de ombros de fora e nem shorts, tanto para homem quanto para mulher. A nossa alternativa para driblar o calor, foi ir de camiseta (nada de regatas) e shorts, levar um grande lenço para usa-lo como saia para as visitas. Super funcionou. As crianças riam quando viam a gente de “saia” e tênis, algo totalmente fora do padrão birmanês.

Depois do 5º templo, a gente tem a sensação de que são todos iguais, mas muitos deles não são. Tem muito templo e pagoda abandonados, enquanto outros totalmente restaurados. Tem algumas coisas bizarras nessas restaurações, como encanamento improvisados indo de fora para dentro do templo e placas de mármore com o nome do templo presa na parede de tijolo, que destoa totalmente da arquitetura deles. Nos deparamos com um que foi pintado de branco!!!! Por esses motivos a Unesco não considera Bagan patrimônio da humanidade, pois a preservação foi feita de um jeito que só os militares sabem fazer. Claro que com esse novo momento do país, tudo está sendo revisto e as novas restaurações estão sendo feitas mais cuidadosamente. Ainda assim, há muita beleza para ver. É surreal pedalar por Bagan porque você vai passando por intermináveis templos no meio do nada. Pedale! É de chorar de tão lindo. E eu choro só de lembrar.

Alguns dos templos que valem a visita, incluindo os principais são: Ananda Temple, Dhammayangyi Temple, Thatbyinnyu Temple, Nathlaung Kyaung Temple, htilominlo temple, Shwezigon Pagoda, Shwesandaw Pagoda, Seddana Pagoda, Pyathadar, Thitsawadi Temple e Sulamani Temple. Se estiver com um guia a tiracolo, é provável que verá todos esses da lista, que são os mais visitados. Se for na raça, dá pra ver também (a gente conseguiu, ué).

E pega esse mapa, imprima, guarda e usa quando visitar Bagan:

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pagoda em Bagan. Foto: Lalai Persson
templo Bagan - foto Lalai Persson
templo Bagan – foto Lalai Persson
Foto: Lalai Persson
Foto: Lalai Persson
pagoda em Bagan - foto Lalai Persson
Pagoda em Bagan. Foto: Lalai Persson

Mani Sithu Market

O Mani Sithu é o mercadão de Bagan, situado em Nyang-U. Nele é possível encontrar roupas, produtos vintage, acessórios, objetos de decoração, produtos de beleza e outras firulas. É frequentado praticamente por locais que vão para comprar verduras, legumes, frutas, grãos, folhas ou mesmo para almoçar, pois há também barracas que servem comida feita na hora.

O mercado é um pouco escuro com corredores estreitos no chão de terra batida, mas que se misturam ao colorido dos produtos vendidos dando um ar bem charmoso a ele. Muitos vendem seus produtos dispostos em lonas no chão. Eu passei um tempão andando por lá completamente encantada e curiosa, conversando com vendedores, que quando vêem um turista, caem em cima tentando vender tudo que estiver na frente e você compra. Vale a visita. Para quem adora comida de rua, é uma boa pedida ir lá para almoçar. Se achar, não deixe de provar o Couple Snack ou Husband and Wife ou Mone Lin Ma Yer.

Uma vendedora de produtos diversos que nos conquistou com seu sorrisão e bom papo. Foto: Lalai Persson
Uma vendedora de produtos diversos que nos conquistou com seu sorrisão e bom papo. Foto: Lalai Persson
As freiras circulando pelo mercado. Foto: Lalai Persson
As freiras circulando pelo mercado. Foto: Lalai Persson

Old Bagan Market

Esse é o maior mercado e vende tudo, inclusive produtos incríveis feitos com lacas, fabricadas na região. Se o seu objetivo é comprar produtos laqueados, aproveite e faça as compras por ali. O mercado é gigante, aberto, e nos seus corredores chegam a passar motos e até carros de vez em quando, entre uma multidão que vai e vem o tempo inteiro. Tem de alimentos à móveis para casa. Numa das partes do mercado tem uma área com restaurantes com alguns achados de ouro, como o The Moon, o melhor vegetariano que fui na vida (consultar “onde comer” abaixo). Para ir ao templo Ananda, o melhor jeito é atravessando o mercado. Ou seja, você vai passar por ele.

Há também um parque de diversões com uma roda gigante que funciona com força humana. Na hora de girar, várias pessoas se penduram nos bancos e vão puxando-os para baixo. É surreal!

Old Bagan Market. Foto: Lalai Persson
Old Bagan Market. Foto: Lalai Persson
Old Bagan Market. Foto: Lalai Persson.
Old Bagan Market. Foto: Lalai Persson.
Roda gigante. Foto: Lalai Persson.
Roda gigante. Foto: Lalai Persson.

Onde comer

Testamos menos restaurantes do que gostaríamos porque o tempo na cidade foi bem curto. Não tivemos, porém, uma experiência ruim. A comida é boa e os preços são ótimos. Aí vão 2 imperdíveis:

O Be Kind to Animals ou The Moon está na lista dos melhores restaurantes que eu já fui. Ele é de um casal local e existe há mais de 20 anos. O lugar é simples, rústico e esbanja charme em meio à confusão do Old Bagan Market. É cheio de flores e pássaros, o chão, como quase tudo, é de terra batida. O atendimento é feito num inglês impecável, mesmo pelos mais jovens. A comida é a grande atração nesse restaurante vegetariano. Para quem, como eu, adora um pedaço de carne, não deixe se intimidar. Vá de coração aberto. Foi lá que comi a melhor Tea Leaf Salad e Guacamole da minha vida. Os sucos são maravilhosos e refrescantes. Caso tenha oportunidade, não deixe de bater um papo com o chef, que é também dono de uma simpatia sem tamanho. As receitas internacionais (eles tem até gaspacho) são aprendidas com os clientes que vão lá para comer. São nessas conversas que surgem as oportunidades. Quem se dá bem no fogão é provável que possa ir parar na cozinha dele trocando receitas. Depois ele adapta a receita com ingredientes locais e finaliza com seu toque pessoal. Eu ainda posso sentir o gosto do guacamole birmanês. É imperdível. Ele fica na lateral do mercado ao norte do templo Ananda, em Old Bagan. Tem placas “The Moon” sinalizando, mas é só perguntar que as pessoas vão indica-lo. Não à toa, ele é o nº 1 no Trip Advisor de 69 restaurantes resenhados.

Restaurante The Moon. Foto: Lalai Persson.
Restaurante The Moon. Foto: Lalai Persson.

Quem gosta de cozinha indiana, não deve deixar de ir ao Aroma 2. O dono (e chef) é birmanês, mas de família indiana. O restaurante fica em Nyaung-U praticamente num quintal todo elaborado. O serviço é bom, o lugar é super aconchegante e é concorrido, mas fecha cedo. Vale reservar mesa. Às 21h as mesas já estavam sendo recolhidas, mesmo conosco ainda saboreando nossos pratos. Assim é Bagan, nada vai até tão tarde. O arroz é servido em folha de bananeira. Tem curry de legume, kebabs saborosos, o naan bem feitinho. É tudo bem saboroso e os preços também são ótimos (média de 5 dólares o prato). Fica na YarKinn Thar Hotel Road.

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O quintalzinho do Aroma 2.

Como se locomover

Minha bike. Foto: Lalai Persson
Minha bike. Foto: Lalai Persson

O melhor jeito de ir e vir em Bagan é em cima de uma bicicleta, preferencialmente uma elétrica se o seu equilíbrio for melhor que o meu, que consegui cair 8 vezes e atolar na areia umas 3. Para passeios menores, como pedalar pelas cidades, uma bicicleta dá conta. O custo para alugar uma e-bike é cerca de 8 doletas o dia.

Caso estar em cima de 2 rodas não é muito a sua praia, há 3 opções: táxi, que geralmente vai ter que pedir no hotel; charrete, que realmente é uma boa (e divertida) pedida, mas raramente estará num estalar de dedos ou transporte público, que eu duvido que você conseguirá saber exatamente qual pegar. Nós nos aventuramos em Bagan por conta própria sem contratar guia, o que é menos comum. Nos munimos com um mapa, marcamos todos os templos que queríamos conhecer e fomos na cara e na coragem com nosso motoca. Foi um suador só, mas valeu cada gotinha. Eu prefiro a liberdade de parar onde eu quero e ficar quanto tempo eu quero, assim como se bater um cansaço, pegar minhas coisas e voltar pro hotel. Saímos pela manhã e ficamos até o meio da tarde fazendo tour pela nossa lista de templos e pagodas. Vimos cenas incríveis, que talvez não tivessem sido permitidas dentro de um tour.

Mas como os locais se locomovem

As lotações em caminhões ou caminhonetes são bem comuns por Bagan. Ônibus são raríssimos. É comum ver as pessoas almoçando no chão da lotação enquanto esperam sua saída. Como falei, eles carregam tudo que puderem dentro ou em cima dos veículos.

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Note que as pessoas vão embaixo e as sacolas em cima. Foto: Lalai Persson
Lotação em Bagan. Reparem na quantidade de coisas penduradas nela. Foto: Lalai Persson
Reparem na quantidade de coisas penduradas nesse mini ônibus. Foto: Lalai Persson
Tentando colocar um guarda-roupa em cima da lotação. E conseguiram! Foto: Lalai Persson
Tentando colocar um guarda-roupa em cima da lotação. E conseguiram! Foto: Lalai Persson
Lotação no meio de Nyaung-U. Foto: Lalai Persson
Lotação no meio de Nyaung-U. Foto: Lalai Persson

Assim é Bagan, um lugar cheio de charme, turístico, mas ainda bem menos do que costumamos ver por aí. Corra, porque daqui a pouco vai ser outro lugar.

Para saber as informações básicas e uma introdução à Myanmar, recomendo ler esse meu primeiro post sobre o país.

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

27 de February, 2015

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Lalai Persson

Lalai prometeu aos 15 anos que aos 40 faria sua sonhada viagem à Europa. Aos 24 conseguiu adiantar tal sonho em 16 anos. Desde então pisou 33 vezes em Paris e não pára de contar. Não é uma exímia planejadora de viagens. Gosta mesmo é de anotar o que é imperdível, a partir daí, prefere se perder nas ruas por onde passa e tirar dicas de locais. Hoje coleciona boas histórias, perrengues e cotonetes.

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