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Museus incríveis: Naoshima

Quem escreveu

Renato Salles

Data

12 de April, 2015

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Quem já conhece Inhotim, e ama a experiência que o nosso parque-museu oferece, não pode deixar de conhecer a ilha de Naoshima, no Japão. É lá que fica o Benesse Art Site Naoshima, um grande conjunto de construções, bosques, casas e muito mais, tudo voltado para arte contemporânea. É tão grande, complexo e lindo que é difícil descrever. Mas imagina assim: uma ilha idílica no Mar Interior de Seto, vários museus espalhados pelos jardins cheios de instalações e esculturas, transporte gratuito por vans, e o melhor, você se hospeda lá dentro, no museu mesmo. Incrível, né?

Tudo começou em 1989, quando o Acampamento Internacional de Naoshima foi criado, sob supervisão do super arquiteto japonês Tadao Ando, como um sítio de experimentação da paisagem natural. Naquele ano, a escultura Frog and Cat de Karel Appel foi instalada em meio ao verde para nunca mais sair. 3 anos depois era inaugurada a Benesse House, o primeiro edifício museu-hotel, e epicentro do movimento artístico da ilha. Claro que o projeto também é de Ando, que foi autor do segundo museu do complexo, o Oval, e seria ainda de outros cinco. O uso dos jardins como área expositiva acabou atraindo artistas para realizarem obras de site-specific (aquelas projetadas e executadas para aquele local), e daí não parou mais. No fim dos anos 90, começou o House Art Project, no distrito de Honmura, convertendo casas abandonadas do próprio vilarejo em galerias, e assim seguiu a expansão até a área do porto de Miyanoura, onde fica o Naoshima Bath I <3 Yu (palavra japonesa para banho quente), um museu-barra-casa de banhos tradicional japonesa.

Bruce Nauman - 100 Live and Die (Crédito: www.flickr.com/photos/shiridenovo)
Bruce Nauman – 100 Live and Die (Crédito: www.flickr.com/photos/shiridenovo)

O esquema é o seguinte: você pode se hospedar em um dos 4 ‘hotéis’ do complexo: o Museum, o Oval, o Park e o Beach. O primeiro fica realmente dentro do museu, e os outros estão a uma pequena distância a pé. Todos os hóspedes tem direito a circular pelas exposições livremente na hora que quiser, ou seja, o melhor hotel do mundo para quem tem insônia. Eles também tem direito de usar gratuitamente todo o sistema de transporte do complexo. Fora isso, a ilha abriga cerca de 3.300 habitantes que, óbvio, começaram a abrir hospedarias para quem não tem grana para ficar lá dentro, mas daí você perde os direitos dados aos hóspedes. Vale colocar na balança: a diária em um quarto duplo dentro do museu vai de 27.000 a 90.000 ienes (US$230 a US$750).

Já falamos, da paisagem, da arquitetura, da hospedagem, do transporte, mas o que tem para ver lá? Como em Inhotim, você tem que calçar sapatos confortáveis e explorar muito. Dentro do museu principal você encontra nomes grandes como Jasper Johns, David Hockney, Jackson Pollock e Cy Twombly, entre muitos outros. O restaurante é decorado com um Andy Warhol. Pelos jardins, você encontra peças espalhadas por qualquer lado interagindo com o entorno, de gente como Walter de Maria e Niki de Saint Phalle, e a gigante abóbora de petit-pois da agora famosa Yayoi Kusama. Circulando pelo vilarejo, as galerias tem instalações de Hiroshi Sugimoto, Shinro Ohtake e James Turrell. E se você não é grande conhecedor de arte, e esses nomes não te dizem nada, pelo menos um vai te emocionar: no Chichu Art Museum está nada menos que uma das telas gigantescas de Claude Monet retratando os jardins de Giverny, que inclusive são recriado (de verdade) do lado de fora da construção.

Yayoi Kusama - Pumpkin (crédito: www.flickr.com/photos/jmhullot)
Yayoi Kusama – Pumpkin (crédito: www.flickr.com/photos/jmhullot)

A coisa tomou tanto corpo que as artes começaram a tomar também as ilhas em volta. A vizinha Teshima abriga o Les Archives du Coeur de Christian Boltanski, uma instalação com gravações de batimentos cardíacos que fez parte da Serpentine Gallery em Londres, e o Teshima Art Museum, uma construção em forma de gota projetada pelo vencedor do prêmio Pritzker Ryue Nishizawa. As duas ilhas, junto com outras 10, recebem o evento trienal Art Setouchi, que tem atividades na primavera, no verão e no outono. São quase 100 dias de evento a cada três anos. O próximo acontece em 2016.

Para chegar a Naoshima, pegue um avião ou um trem-bala para Okayama, e lá pegue o trem regional para Uno. De lá, uma balsa te deixa na ilha em 20 minutos. Se quiser procurar uma opção de hospedagem mais barata que o Benesse House, você pode dar uma olhada no site da Associação de Turismo de Naoshima, que tem uma lista de opções de ryokan, hospedarias tradicionais japonesas. E quem quiser contribuir para eu ir lá conhecer e contar mais, só avisar!

Benesse House (Crédito: www.flickr.com/photos/jep)
Benesse House (Crédito: www.flickr.com/photos/jep)
O quarto do hotel (crédito: www.flickr.com/photos/kaba)
O quarto do hotel (crédito: www.flickr.com/photos/kaba)
NIki de Saint Phalle no jardim (crédito: www.flickr.com/photos/triplefivedrew)
NIki de Saint Phalle no jardim (crédito: www.flickr.com/photos/triplefivedrew)
Crédito: www.flickr.com/photos/umezy12
Crédito: www.flickr.com/photos/umezy12
Walter de Maria - Time/Timeless/No Time (crédito: www.flickr.com/photos/telstar)
Walter de Maria – Time/Timeless/No Time (crédito: www.flickr.com/photos/telstar)
O Oval (crédito: www.flickr.com/photos/shok)
O Oval (crédito: www.flickr.com/photos/telstar)
Crédito: www.flickr.com/photos/telstar
Crédito: www.flickr.com/photos/telstar
Crédito: divulgação
Crédito: divulgação

Foto do destaque: www.flickr.com/photos/shok

Quem escreveu

Renato Salles

Data

12 de April, 2015

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.