Museus incríveis: Louisiana

Quem escreveu

Renato Salles

Data

23 de February, 2015

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O nome desse museu não parece estranho até que se descubra onde ele fica: na Dinamarca. O Louisiana Museum of Modern Art não tem nada a ver com o estado americano. Recebeu esse nome porque o antigo dono da propriedade onde ele fica, Alexander Brun, teve nada menos que 3 esposas com o mesmo nome – Louise. E não se deixe levar pela conotação caipira do termo. O museu é o mais visitado da Dinamarca, e abriga uma coleção incrível de arte moderna e contemporânea com mais de 3mil obras, desde a época da II Guerra Mundial até os dias de hoje. Também é palco para algumas das exposições mais famosas e impressionantes do mundo. São em torno de 8 a 12 por ano. Recentemente, por exemplo, o artista Olafur Eliasson montou projeto sitespecific Riverbed, em que muitas salas do museu foram preenchidas de terra e pedra, que revertia a relação da natureza com a arte.

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O museu foi inaugurado em 1958 por Knud W. Jensen, e a ideia era ser uma grande coleção de arte moderna dinamarquesa. Mas em alguns anos o objetivo mudou e ele começou a montar um dos melhores acervos de arte moderna mundial, que inclui Picasso, Warhol, Liechtenstein, Rauschenberg, Giacometti e muitos outros. Além disso, ele sempre trabalhou com uma metodologia que acabou intitulada ‘princípio da sauna’ na hora de organizar as exposições: todas eras dividas em partes ‘quentes’ (de artistas muito populares) e ‘frias’ (com artistas novos ou desconhecidos), para que o público conheça algo novo em cada visita dedicada a algo que já estão familiarizados.

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A arquitetura do museu é um outro fator que explica o sucesso de público. O projeto inicial, de Jørgen Bo e Wilhlem Wohlert, seguia o partido da villa antiga de Brun, integrando a construção com os jardins em volta e a vista da Suécia através do mar. Por isso, muitas galerias era nada mais que corredores envidraçados. Ao longo das décadas, o museu sofreu várias expansões, mas sempre seguindo a arquitetura modernista original, criando então galerias maiores, com pés direitos altos e mais andares. Em uma dessas obras, uma sala de concerto com acústica perfeita foi construída para abrigar não só espetáculos de música, mas também palestras, debates e outro eventos. A partir de 2007, as apresentações de música começaram a ser filmadas e estão todas disponíveis no site Louisiana Music.

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Mesmo que não é lá muito chegado em arte vai curtir uma visita ao Louisiana. O complexo conta com muita atividade além das exposições. Os jardins em volta são maravilhosos e cheios de esculturas de nomes como Alexander Calder, Louise Bourgeois, Henry Moore, Joan Miró, Max Ernst e outros. Passeando pela área, ainda tem algumas obras sitespecific de Enzo Cucchi, Dani Karavan and George Trakas, no melhor estilo Inhotim. Para as crianças, uma ala de 3 andares tem atividades durante todos os dias, onde os pequenos (até 16 anos) podem pintar, desenhar, esculpir, construir, e descobrir o trabalho dos artistas que estão expostos. Todo mês, um concurso é montado com os trabalhos desenvolvidos por lá. E quando bater a fome, ao lado da sala de concerto tem o café, que serve um belo buffet de almoço e jantar com comida escandinava, e a vista incrível do mar. No Tripadvisor, o museu tem 95% de aprovação nos reviews. Não dá para perder.

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O Louisiana fica às margens do mar de Øresund, na cidade de Humlebæk, a 35km ao norte de Copenhagen. Para chegar lá, são 36 minutos na linha C do S-train vindo de Copenhagen. Chegando à estação de Humlebæk, siga 900m para o norte pela Strandvej. Se você estiver fazendo um bate-volta de Copenhagen, vale a pena comprar o passe de 24h de transporte nas máquinas de bilhete. Também tem desconto usando o DSB’s Travel Card fora da hora do rush (entre 11 e 13h e depois das 18h, e fins-de semana). O ingresso de entrada custa DKK110, ou cerca de R$50. Estudantes pagam R$40 e pessoas até 18 anos não pagam. O museu abre de terça a sexta das 11h às 22h, e sábados, domingos e feriados das 11h às 18h.

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Foto de destaque: http://yanksinalbion.blogspot.com.br/

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Renato Salles

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23 de February, 2015

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.