Decoding

Tendências dos principais festivais de inovação e criatividade do mundo.

Eventos gratuitos SP por Catho

Guia semanal de eventos gratuitos para curtir em São Paulo

Festivais de música

Os melhores festivais de música do Brasil e do mundo num só lugar.

Fit Happens

Aventura, esporte, alimentação e saúde para quem quer explorar o mundo.

Nomadismo Digital por Treviso

Trabalhando e viajando ao mesmo tempo.

Podcast Jogo do CoP

O podcast Jogo do CoP discute quinzenalmente assuntos aleatórios.

Quinoa or Tofu

Restaurantes, compras, receitas, lugares, curiosidades e cursos. Tudo vegano ou vegetariano.

Rio24hrs

Feito com ❤ no Rio, para o Rio, só com o que há de melhor rolando na cidade.

SP24hrs

Gastronomia, cultura, arte, música, diversão, compras e inspiração na Selva de Pedra. Porque para amar São Paulo, não é preciso firulas. Só é preciso vivê-la.

Valle Nevado

Chicken or Pasta na temporada 2019 do Valle Nevado.

Inle Lake: por que você tem que ir

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

04 de March, 2015

Share

Inle Lake era um grande mistério para mim. Entendi o fato de que lagos podem ser belíssimos, mas ainda não entendia a aura em volta desse. Lá fomos nós voar de Bagan para Heho, o aeroporto mais próximo ao lago, num vôo de aproximadamente 1h15.

A paisagem é montanhosa e árida, como boa parte do país. As pagodas desfilam pela janelinha do avião. É pagoda nos cantos mais inimagináveis, inclusive no meio do nada, deixando a pergunta de “como ela foi parar ali?”.

Heho foi o menor aeroporto em que estive na vida, perdendo até para rodoviárias em cidades do interior. Saímos do aeroporto atrás de um táxi para nos levar até Nyaungshwe, onde tem um canal que te leva até o lago.

Inle Lake fica nas montanhas no estado Shan, no leste de Myanmar. O lago tem uma área estimada de 116km2 e 100km de comprimento por apenas 5km de largura, tornando-o o segundo lago em área e um dos mais altos, a 884m de altitude, de Myanmar. A profundidade é de cerca de 1,50m na época seca e ultrapassa 4m durante as monções.

Chegar no canal não foi uma tarefa fácil. Conseguimos um táxi bem antigo, com os retrovisores no capô, por 18.000 kyats (US$ 18). O motorista trajado na típica saia e chinelos. O carro não tinha cinto de segurança e a estrada sinuosa, nauseante, com suas curvas infinitas numa descida até chegarmos à beira do canal. No meio da estrada fomos surpreendidos novamente com uma taxa para acesso ao lago: US$ 20 ou 20 euros. Assim como em Bagan, você escolhe a moeda, mas a quantidade em “dinheiros” é a mesma.

Nosso táxi. Foto: Lalai Persson
Nosso táxi. Foto: Lalai Persson

Uma hora depois descíamos em frente a uma agência de turismo para contratarmos um barco que nos levaria até nosso hotel, onde aproveitamos e já fechamos tudo: barco para ir, barco para passear no dia seguinte pelas vilas flutuantes e barco para voltar para Nyaungshwe, onde nos hospedaríamos à beira do canal até nossa partida.

Ter escolhido um dia para ficar à beira do lago foi decisão mais do que acertada. Entramos no nosso barco motorizado com 2 cadeiras de plástico colocadas devidamente no meio dele para que tivéssemos onde sentar. Um cobertor da Hello Kitty para cada um para aquecer nossas pernas no dia frio que fazia. As malas foram colocadas na frente do barco e cobertas com lona. Simples assim. Barco simples, pequeno e nós acomodados estranhamente em cadeiras de plástico.

O Renato no barquinho. Foto: Lalai Persson
O Renato no barquinho. Foto: Lalai Persson

A saída do canal não é exatamente de uma beleza esperada. O canal tem a água marrom bem escura e um cheiro forte. Na beirada do canal era comum ver pessoas se banhando ou brincando. Casinhas simples surgiam de um lado e construções maiores do outro. Nada fora do comum até a gente finalmente chegar no final do canal e entrar no lago. A diferença é nítida. A água é cristalina, possibilitando ver juncos e plantas a partir do barco. O espetáculo ainda estava prestes a começar.

Inle Lake não é apenas famoso por ser um lago extenso e belo, mas também por sua forma de pesca peculiar. São dois estilos: o primeiro é o mais bonito e impressionante. Os pescadores são conhecidos como “bailarinos”, pois a pesca é uma verdadeira dança. Eles ficam em pé na ponta do barco remando com a perna com um cesto nas mãos levantado para o ar. De repente, o pescador faz um espacate (juro!) no ar e arremessa a cesta na água, trazendo-a de volta cheia de peixes. É uma das coisas mais incríveis que vi na vida. Queria pedir para parar o barco, porque eu queria ficar ali horas contemplando o espetáculo. Mas fomos embora.

Os pescadores bailarinos de Inle Lake. Foto: Lalai Persson
Os pescadores bailarinos de Inle Lake. Foto: Lalai Persson
Processed with VSCOcam with c1 preset
Os pescadores de Inle Lake. Foto: Lalai Persson

Eu parecia um ventilador de tanto que girava a cabeça para não perder nada. Eram as montanhas, os vilarejos, os pescadores, os barquinhos indo e vindo e o próprio lago. Sabe aquele momento que você quer congelar para captar tudo com precisão? Foi assim, mas não consegui.

O mais legal de passear pelo lago é que ele é extremamente organizado. Tem  “vielas” saindo do lago como se, de fato, fossem ruas, mas é apenas o lago continuando em caminhos mais estreitos dando em algum lugar. É fabuloso!

Depois de 1 hora girando pra cá e pra lá, finalmente chegamos no nosso lindo resort. Decidimos que Inle Lake seria o lugar do merecido descanso depois de mais de 20 dias correndo de um lado pra outro, pois óbvio, a gente vai pra Ásia, a gente paga uma fortuna na passagem e a gente quer ver tudo no menor tempo possível (erro!). Eu não via a hora de simplesmente não ter o que fazer. E foi assim que aconteceu.

Para chegar no Amata Garden Resort, o barco pegou uma via a esquerda do lago e seguiu em meio à vegetação e à água até chegarmos em um deck. Quando ancoramos o barquinho, eu tinha a impressão que todos saíram do resort para nos recepcionar. Todos trajados em calças que pareciam saias, marrons e chinelos, sorriso 180º estampado no rosto e “welcome” vindo de todos os lados. E então você olha para o barco, o espaço entre a água e o deck, olha pra cima torcendo que alguém vá pegar a sua mão. E então alguém te puxa e você finalmente sai do barco.

O resort era um deslumbre. Começa com uma pré-recepção, em uma construção gigante que eu achei já ser parte do hotel, mas era apenas o restaurante, separando-se do hotel por um jardim bem cuidado até chegar numa nova recepção, onde tinha uma placa com boas-vindas ao Renato, que fez a reserva. 

Eu estava bem deslumbrada, não vou negar. Fizemos o check-in e subimos para o quarto, loucos para nos jogarmos na cama. O quarto era pequeno, mas moderno e minimalista, com uma janela ampla, que dava para o lago. A vista do quarto era inacreditável. O alerta na recepção antes de subirmos ao quarto foi “às 17h temos o happy hour, qualquer drink pedido, ganha 1 de brinde para apreciar o por do sol”. Apagamos por 2 horas num sono mais do que merecido.

Amata Garden Hotel. Foto: Lalai Persson
Amata Garden Hotel. Foto: Lalai Persson
Placa de boas-vindas no Amata. Foto: Lalai Persson
Placa de boas-vindas no Amata. Foto: Lalai Persson

Acordamos a tempo do por do sol que foi emendado com um almoço e um jantar. Enfim, por lá ficamos, pois era toda a programação que tínhamos naquele dia. Não havia para onde ir e estava tudo bem. Nós éramos de longe os mais jovens do hotel e os únicos a estarem num grupo pequeno de dois. Ficamos horas no jardim do restaurante, eu apreciando um rapaz que estava regando as plantas numa cena inóspita e quase romântica, enquanto o sol descia lentamente.

Cerveja e por do sol assistido do hotel. Foto: Lalai Persson
Cerveja e por do sol assistido do hotel. Foto: Lalai Persson

Não sei a que horas voltamos ao quarto, mas provavelmente não eram sequer 10 da noite. Apagamos novamente. No dia seguinte pulamos cedo da cama, nos esbaldamos com o maior buffer de café da manhã que eu vi na vida e então partimos com o nosso barqueiro do dia anterior. A programação era conhecer os vilarejos flutuantes e visitar uma penca de lojas e fábricas, que sempre fazem parte da programação dos tours contratados.

Diferentemente do que eu tinha visto em Siem Reap, as vilas flutuantes de Inle Lake eram muito mais estruturadas, com imensos casarões, restaurantes, escolas, supermercados, fábricas, pagoda, mosteiro, mercados “de rua” e até plantações de tomates, o que mais tem no lago. Ao lado de tudo um barquinho, a locomoção local. As casas são coloridas e as vias movimentadas, não só com turistas, mas com moradores vivendo seu dia a dia. Eu fiquei estupefata com tamanha beleza sentada da minha cadeirinha de plástico, imponente no meio do barquinho. Passamos horas percorrendo as vias (tipo ruas, na mesma estrutura que as nossas), contemplando as casas, as pessoas, a vida simples e completamente oposta da que levamos. E você vê tudo, mas ali a miséria me pareceu bem menor. As casas construídas em palafitas tinham jardins, algumas com garagem para o barco e até quintal para as crianças brincarem. Surreal a criatividade de construir uma cidade suspensa na água. São mais de 200 cidades e aldeias no lago ou em volta dele, a maioria flutuante.

Vila flutuante em Inle Lake. Foto: Lalai Persson
Vila flutuante em Inle Lake. Foto: Lalai Persson

Tudo estava pré-planejado, então não conseguimos almoçar, por exemplo, no restaurante que gostamos. Fomos no que o barqueiro indicou, porque lá ele não pagava para almoçar. Fomos na fábrica de seda, de madeira, de prata…. e de todas elas a gente saiu com uma sacola cheia. Barato? Não é, mas ainda assim o preço é bom. O tempo é outro. Ele passa devagar. As 6 horas que passeamos pareceram 12. E foi bom.

A entrada do restaurante em Inle Lake. Repare como a água dos canais são bem escuras. Foto: Lalai Persson
A entrada do restaurante em Inle Lake. Repare como a água dos canais são bem escuras. Foto: Lalai Persson

De lá voltamos a Nyaungshwe, na ponta do canal do lago e nos hospedamos num hotel à beira dele, onde ficamos em chalés construídos em palafitas. Na cidade não há muito o que fazer, pois a vida está dentro do lago. Por ali o que resta a fazer é curtir uma boa cerveja nos diversos bares espalhados pela avenida principal da cidade, comer num bom restaurante, pedalar, visitar lojinhas e o mercado principal de alimentos, o mais rústico que visitei em toda a viagem. Há também pagodas, mas a essa altura, eu já estava um pouco cansada delas. Aproveitamos então para relaxar, curtir o bom hotel em que ficamos, pois a próxima parada seria Yangon e de lá estávamos esperando bastante.

COMO IR

É possível ir de avião até Heho e pegar um táxi de lá para Nyaungshwe (cerca de US$ 20). São 46km e uma viagem de cerca de 50 minutos. Os vôos para Heho saem das principais cidades de Myanmar, incluindo Yangon, Bagan e Mandalay. Os vôos custam entre US$ 80 e 150,00 a perna num bimotor e a viagem, de qualquer uma dessas cidades leva cerca de 1h. As cias. aéreas que atendem Heho são Air Bagan, Yangon Airways e Air KBZ.

Quem prefere encarar a estrada, também saem ônibus das 3 cidades. A viagem dura cerca de 11 horas e custa cerca de US$ 22. No caso do ônibus, você já desce direto em Nyaungshwe. Clique aqui para ver mais opções.

ONDE FICAR

Muitos turistas se hospedagem em hotéis espalhados por Nyaungshwe, mas vale muito a pena investir pelo menos uma noite em um dos hotéis no meio do lago. Nós nos dividimos entre o lago e Nyaungshwe e foi uma das melhores coisas que fizemos.

A nossa primeira noite foi no Amata Garden Resort, um resort já bem próximo às vilas flutuantes, a 1h de barco de Nyaungshwe, com uma boa infra-estrutura. Só faltou mesmo uma piscina. O serviço é impecável, a Internet funciona e o lugar é bucólico. Ótima opção para relaxar depois de passar dias entrando e saindo de pagodas, andando pra cá e pra lá. Assistimos ainda o por do sol de um bar do hotel armado na área externa, com um belíssimo jardim em frente. A comida do hotel é também fantástica. E, como não poderia faltar, o resort conta também com um ótimo spa. As tarifas (pasmem) custam a partir de US$ 130.

O jardim do Amata Garden. Uma das cenas mais bucólicas da viagem. Foto: Lalai Persson
O jardim do Amata Garden. Uma das cenas mais bucólicas da viagem. Foto: Lalai Persson

Uma amiga nossa se hospedou no Inle Princess Resort e super recomendou. Infelizmente ele estava lotado quando tentamos reservar um quarto. Ele é o nº 1 do Trip Advisor. Os chalés tem diárias a partir de US$ 266,00.

Já Nyaungshwe tem hotéis para todos os bolsos. Nós, que decidimos que Inle Lake seria nossa parada cheia de conforto, acabamos ficando no View Point, bem na beira do canal. O hotel é comandado por um suíço super simpático, onde você é recebido um drink de boas-vindas, incluindo champagne ou qualquer outra coisa que queira experimentar. A comida é excepcional e o café da manhã é do jeito que eu gosto (nada de buffet, vem tudo servido impecavelmente na mesa). Os quartos ficam em chalés construídos em palafitas e é perto de tudo. As tarifas variam entre US$ 135 e 173, dependendo da época da viagem.

O QUE FAZER NO LAGO

Assim como em Bagan a atração são as pagodas, em Inle Lake a atração é o lago em si, onde a vida acontece. Não há como fugir dos tours. O melhor é fechar um barco, que já vem com toda a programação pronta com tudo que há para ver de ponta a ponta do lago. Nós acabamos optando por um passeio menor, abrindo mão de ver o mercado mais famoso da região, pois queríamos acordar às 9h da manhã (passamos 3 dias acordando sempre antes das 6h e estávamos loucos por uma noite longa de sono). Nosso passeio foi feito com a agência Inle Boy, que eu super recomendo. Passeamos com eles por 3 dias e todos os passeios foram bons.

Vila flutuante em Inle Lake. Foto: Lalai Persson
Vila flutuante em Inle Lake. Foto: Lalai Persson

Não há como fugir das lojinhas e fábricas, e aglumas valem a visita. Não precisa comprar nada, mas é difícil sair de qualquer uma delas sem uma sacola a tiracolo. O restaurante também é escolhido pelo tour, pois o barqueiro tem toda uma condição especial para almoçar no local. E ainda assim você vai comer bem. Não deixe de comer a tea leaf salad, prato local birmanês dos deuses, acompanhada de uma Myanmar bem gelada. Caso prefira passar longe de lojas e fábricas, diga na hora de contratar o pacote “The south route, no shops, no shops”. Infelizmente soubemos disso um pouco tarde demais.

As vilas em si já são uma atração. Elas são bem estruturadas, com quintal, jardim e até animal doméstico, além de ter sempre um barquinho estacionado ao lado. Vale passear por elas sem pressa, observando a arquitetura, o estilo de vida e a vida em volta. O comércio como em qualquer bairro, a escola, o templo, os restaurantes, o bar. Tem tudo, inclusive fábricas. São cerca de 70.000 pessoas morando em volta e/ou no lago.

A visita à fábrica de seda é incrível e imperdível. É acompanhada de uma funcionária que mostra o processo de produção tanto de tecido feito à base de flor de lotus quanto da própria seda. Tudo manual e ritmico. Os pés parece estar tocando algum instrumento, mudando de “teclas” onde se pisa de acordo com a cor que está trabalhando. É fascinante. Tem meninas bem jovens, assim como tem senhoras bem idosas. Todas concentradas e sorridentes. Depois da visita, somos levados à loja que tem tudo que se possa imaginar feito com seda, algodão e lotus: calças, lenços, vestidos, saias, etc. Os preços são acessíveis, mas não baratos, afinal estamos falando de seda. Acaba sendo um ótimo lugar para comprar presentes e tudo bem para turista ver e comprar.

Fábrica de seda e lótus. Foto: Lalai Persson
Fábrica de seda e lótus. Foto: Lalai Persson
Fiquei apaixonada pelos carretéis de linha da fábrica de seda. Foto: Lalai Persson
Fiquei apaixonada pelos carretéis de linha da fábrica de seda. Foto: Lalai Persson

Depois é a vez da fábrica de madeira, onde é possível ver como os barcos locais são construídos. Nesse lugar há várias barracas que vendem produtos feitos de madeira ou laqueados. Tem muita coisa bacana, mas a minha passagem por lá foi bem rapidinha e foi o único lugar de onde saí sem comprar algo.

Por fim visitamos uma pequena fábrica de prata, que é um paraíso para quem adora prataria. Os preços são bons também e é possível assistir alguns artesãos produzindo pequenas peças. Essas foram as 3 fábricas que visitamos. As duas últimas não acho que valem muito a parada, a não ser que tenha interesse em fazer compras.

Detalhes da fábrica de prata e jóias. Foto: Lalai Persson
Detalhes da fábrica de prata e jóias. Foto: Lalai Persson

Hora do almoço. Tem várias opções de restaurantes, mas o provável é que você vá no que seu barqueiro já tiver escolhido pra você. Comemos bem e pagamos barato como tudo em Myanmar. Aproveitamos para dar uma relaxada na varanda do restaurante assistindo o movimento dos barcos em frente a ele.

Outro lugar para visitar é a pagoda mais famosa de Inle Lake, a Phaungdawoo Pagoda. Ela é imponente e suntuosa, aumentando ainda mais seu fascínio pela localização. Nessa área tem também um mercado com muita antiguidade, incluindo livros velhíssimos e uma escola. Vale parar, visitar a pagoda e dar uma volta pelo mercado sem pressa.

Na área da pagoda. Foto: Lalai Persson
Na área da pagoda. Foto: Lalai Persson
As estupas no meio do lago. Foto: Lalai Persson
As estupas no meio do lago. Foto: Lalai Persson

Visitar o monastério Nga Phe Kyaung, o mais antigo e maior de Inle Lake, construído em 1850. A atração mais famosa por lá são os gatos “puladores”, que são treinados a pularem através de uma argola. Nós acabamos pulando essa visita.

Foto da área externa do monastério. Foto: Lalai Persson
Foto da área externa do monastério. Foto: Lalai Persson

Ir aos jardins flutuantes, onde tem uma enorme plantação de tomates, verduras e flores. É lindo e incrível ver um tudo que é “plantado” na água.

Quem não teve a experiência na Tailândia de visitar um mercado flutuante, pode aproveitar para faze-la em Inle Lake. Ele é bem menor e vende basicamente produtos locais, muitos deles sendo alimentos.

Horta flutuante. Foto: Lalai Persson
Horta flutuante. Foto: Lalai Persson
Nosso barco passeando pelos jardins flutuantes. Foto: Lalai Persson
Nosso barco passeando pelos jardins flutuantes. Foto: Lalai Persson

Como todo mundo, ficamos fascinados com os pescadores, tanto os que remam com a perna e pescam com uma cesta, quanto os que pescam com um pau que é batido ao fundo do lado para pegar peixe com ele. O primeiro é de fato um espetáculo mais bonito. Dá para ficar horas assistindo. Acabamos pegando uma carona de barco num outro dia só para ir no início do lago contemplá-los. Infelizmente o turismo está tirando a naturalidade dos pescadores, que vêem um bom filão para conseguir alguns bons trocados enquanto dançam para você. No primeiro dia apenas passamos por eles, que estavam mais absortos em suas pescas, dando a impressão que mal nos viram passar. O espetáculo foi natural e, consequentemente, mais belo. No segundo passeio, teve um ar mais artificial, pois o nosso barqueiro se aproximou de um pescador que ficou mostrando para nós como é feita a pesca. Claro que foi super interessante e pudemos entender um pouco mais de como ela é feita, mas tirou a naturalidade de seus movimentos, que acabaram sendo feitos meramente por dinheiro (essa é uma boa discussão para um outro post, do como o turismo transforma tudo à sua volta).

Pescador bailarino. Foto: Lalai Persson
Típica cena em Inle Lake. Foto: Lalai Persson
Processed with VSCOcam with c1 preset
Foto: Lalai Persson

O QUE FAZER EM NYAUNGSHWE

Caso prefira visitar um mercado bem local, há um ao sul (costa oriental do lago) de Nyaungshwe, onde os agricultores e pescadores vendem seus produtos, usando o lucro para comprar itens de consumo no próprio mercado, tudo oferecida em barracas no chão. É bem diferente dos mercados que costumamos ver no restante do sudoeste asiático. É mais simples e rústico, ainda assim tem seu charme. Dá para visita-lo pedalando cerca de 45 minutos a partir da cidade. Eu gostei bastante do mercado central que fica na cidade, que vende basicamente alimentos e quinquicalharias.

O mercado em Nyaungshwe
O mercado em Nyaungshwe. Foto: Lalai Persson
Produtos sendo vendidos no mercado. Foto: Lalai Persson
Produtos sendo vendidos no mercado. Foto: Lalai Persson
Área com lugares para comer no mercado na cidade. Foto: Lalai Persson
Área com lugares para comer no mercado na cidade. Foto: Lalai Persson

Quem se interessar em se aventurar na cozinha birmanesa, há algumas escolas de culinária em Nyaunshwe. E aprender a cozinhar em outro país é diversão até para quem não é muito amigo do fogão.

A cidade é pequena, rústica, movimentada e um pouco fedida. As ruas são de terra e não há muito o que fazer por lá. Fuja do show de fantoches, porque nele há apenas boa vontade. Na rua principal há vários bares e restaurantes, alguns bem charmosos. Tem também opções de comida internacional, caso esteja cansado da cozinha birmanesa. Por ali, o melhor é alugar uma bike e explorar a região sem rumo.

Rua principal da cidade. Foto: Lalai Persson
Rua principal da cidade. Foto: Lalai Persson

Dos restaurantes que experimentamos, dois imperdíveis foram o restaurante do View Point, o Shan Restaurant, onde nos hospedamos. Os pratos são mais caros, mas ainda assim bem acessíveis. Eles tem uma ótima carta de vinhos, a comida é bem elaborada e bem servida, além de ter uma bela vista do canal.

Para almoçar, vale sair do centrinho e ir até o restaurante Lotus, que é bem simples servindo comida típica birmanesa. A comida é deliciosa, bem servida e frequentado, na maioria, por locais. Museum Rd, Nyaungshwe, Myanmar

Menu manual do restaurante. Foto: Lalai Persson
Menu manual do restaurante Lotus. Foto: Lalai Persson

 

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

04 de March, 2015

Share

Lalai Persson

Lalai prometeu aos 15 anos que aos 40 faria sua sonhada viagem à Europa. Aos 24 conseguiu adiantar tal sonho em 16 anos. Desde então pisou 33 vezes em Paris e não pára de contar. Não é uma exímia planejadora de viagens. Gosta mesmo é de anotar o que é imperdível, a partir daí, prefere se perder nas ruas por onde passa e tirar dicas de locais. Hoje coleciona boas histórias, perrengues e cotonetes.

Ver todos os posts

    Adicionar comentário

    Assine nossa newsletter

    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.