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O novo Haut-Marais em Paris

Quem escreveu

Domingos Lepores

Data

31 de January, 2014

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Crédito foto: vvoe / Shutterstock.com
Rue des Rosiers – Crédito foto: vvoe / Shutterstock.com

O Marais, até meados dos anos 1980, era um pouco uma  no man’s land no centro de Paris. Mesmo com a implementação de um plano de revalorização de seu patrimônio histórico na década de 1960, ninguém queria morar por lá. A região, com seus prédios abandonados e/ou em péssimo estado de conservação, fazia lembrar um gueto da Segunda Guerra Mundial, tendo como eixo a rue des Rosiers e seu comércio de produtos judaicos.

Foi apenas após os anos 80 que a área começou a tomar novo fôlego, graças sobretudo a rue des Rosiers, uma das poucas em Paris cujas lojas ficam abertas no domingo, e a ser uma das mais desejadas e consequentemente mais caras da cidade.

Com a abertura do museu Picasso em 1985, a região ao seu entorno – especialmente ao norte, em direção à rue de Bretagne no 3ème arrondissement – tornou-se muito atraente para a abertura de galerias de arte contemporânea, tendo como força-motriz a pioneira Galerie Perrotin. Os galeristas certamente caíram de amores pelos aluguéis relativamente baratos e pela oferta de espaços incomuns, muitas vezes localizados nos fundos dos pátios dos imóveis. Hoje, esses espaços, antes ocupados por ateliers de artesãos que faziam relembrar o tempo das corporações de ofício, são disputadíssimos e os poucos que ainda restam são alvo de persistente especulação. Ainda é possível, no entanto, ver alguns dos ateliers, onde você pode, por exemplo, encomendar um parafuso feito sob medida e que falta naquela cadeira Jean Prouvé que você teve a sorte e felicidade de encontrar numa brocante.

À medida que essa área do Marais passou a sofrer uma forte gentrificação , os empreendedores começaram a procurar novas áreas para a criação de negócios e a área em torno da estação de metrô Arts et métiers é a bola da vez.

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Desde o ano passado, o quadrilátero formado pelas ruas Réaumur, du Temple, Meslay e saint-Martin e chamado de Haut-Marais ou NoMa – Northern Marais – à maneira de New York, borbulha de novas lojas, galerias de arte contemporânea, bares e restaurantes.

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A região formada especialmente pelas ruas Volta, du Vertbois e Notre-dame de Nazareth é, há mais de 30 anos, dominada pelo comércio atacadista de roupas de couro e jeans, e nada faz lembrar os desfiles de prêt-à-porter das grandes marcas parisienses, mas sim o bairro do Brás paulistano, com o vai e vem de trabalhadores descarregando mercadorias de caminhões.

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Se há alguma razão para comemorar a alta dos valores dos aluguéis, o motivo é este: os atacadistas, às vésperas da renovação dos contratos de locação não tem como arcar os novos valores do mercado imobiliário e são obrigados a baixar as portas, cedendo lugar para gente com ideias novas e que querem acabar com o comércio monotemático da área.

O grande trunfo da região, além da localização central (no meio do caminho entre o centro da cidade e o canal de Saint-Martin, outra área em constante gentrificação) é a sua arquitetura, quase não renovada nos anos Haussmann, o que significa que os prédios foram apenas alinhados em relação à rua, mas não destruídos. Ou seja, praticamente não há aqueles prédios típicos de Paris e que tanto servem de “inspiração” para os edifícios neoclássicos de São Paulo.

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Vale lembrar que as fachadas dos imóveis são tombadas, o que deixa ainda mais interessante o contraste entre as esquadrias de alumínio, tão em voga na década de 1970, das antigas lojas de roupas e o restante do prédio, muitas vezes construído antes da Revolução Francesa.

E daqui alguns meses, um novo e sensacional projeto vai tornar a região ainda mais imperdível: La jeune rue (a rua jovem), idealizado pelo banqueiro Cédric Naudon e pelo chef Antonin Bonnet, do restaurante Le sergent récruteur e que propõe
uma nova ideia de sofisticação com sua manteiga preparada no próprio restaurante e peixes vindos do último navio pesqueiro autorizado no rio Loire. A dupla promete sacudir a área em um projeto que promete mixar design com gastronomia. Ingo Maurer, Jasper Morrisson e os irmãos Campana foram alguns dos nomes escolhidos.

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Hoje o Haut-Marais é o passeio ideal para um sábado à tarde, justamente porque os atacadistas, em sua maioria judeus que respeitam o shabat, ficam fechados, e as ruas livres dos caminhões de entrega de mercadorias.

Pensando na sua próxima viagem a Paris, selecionei o que você não pode perder quando vier passear por aqui:

Library of arts LO/A: é uma arty select store, com uma super acurada seleção de livros de fotografia, arquitetura, moda, design que muda de tema a cada trimestre. Berlin foi o primeiro a ser escolhido.

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Wait: concept store dos criadores da marca de óculos de sol Waiting for the sun. Estética surf vintage perfeita para o verão 2014.

Beaubien: select store de roupas masculinas. Só lá você encontra marcas vindas do Brooklyn como Battenwear ou de Copenhague como Libertine Libertine e Soulland.

Le Cosmo/Le Coltrane: separados pela passagem du Pont aux biches (ponte das corças), onde se pode ver uma das 19 fontes de água Wallace, doadas pelo empresário inglês de mesmo nome no fim do século 19. O primeiro é um bar a cocktail e o segundo, restaurante.

Le Parisien: Da equipe do Chez Jeanette, Flóreal e Bellerive, ou seja, qualidade e preço rimam com hype.

Superfly records: loja de vinyl de orientação jazz/funk

Un monde vegan: mini mercado vegan, com uma seleção de produtos vindos do outro lado do canal da Mancha.

L’ami Louis: restaurante exclusivo com apenas 12 mesas que faz delirar os americanos ávidos por foie gras e dispostos a pagar 7 euros por uma taça de café

Anahí: argentino típico, com ceviche, bife de lomo e dulce de leche e preços salgados

Pramil: cozinha neobistrot (leia-se inventiva) do chef Alain Pramil

As galerias Russiantearoom, especializada em fotográfos vindos dos países integrantes da ex-União Soviética, mfc-Michèle Didier, Paris-Beijing, Derouillon, Vincenz Sala, Brugier-Rigail

E quando você estiver por aqui e certamente ver algo novo, não deixe de compartilhar aqui pra gente.

Foto do destaque: Shutterstock – Anastasia Petrova

Quem escreveu

Domingos Lepores

Data

31 de January, 2014

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Domingos Lepores

No seu aniversário de sete anos, ganhou um globo terrestre e pouco depois já sabia (quase) de cor o nome das capitais dos países do mundo. Ainda não conheceu a Ásia e a Oceania, mas mudou há cinco anos para Paris e mora há dois em Berlim. É péssimo em senso de orientação. Sempre acaba se perdendo nas ruas transversais e achando aquele café ou loja que você vai ver indicado na edição de um guia de viagem só no ano seguinte.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.