Viagem

10 motivos para você conhecer a Suécia

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

16 de April, 2014

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O Ola vive me dando motivos intermináveis para me convencer a mudar com ele para a Suécia. Mas não precisa, porque sem esses motivos eu já morro de vontade de fazer a mudança (mas não rola e esse é outro assunto que não vem ao caso  nesse momento).

Como agora deu a louca e todo mundo decidiu desbravar a Escandinávia, decidi listar 10 bons motivos para colocar a Suécia nos planos, mas recomendo não ir em dezembro, pois a escuridão pode chegar a 24 horas se pular a linha pro lado de lá do Círculo Polar Ártico. Em compensação, no auge do verão, o sol fica eternamente a posto propiciando 24 horas de sol entre junho e julho. Em Estocolmo nos dias mais tenebrosos, a luz do dia aparece das 8h47 às 14h55.

Vista da casa da família do Ola às 10h da noite (foto tirada pelo Ola Persson)
Vista da casa da família do Ola às 10h da noite (foto tirada pelo Ola Persson)

Geralmente as pessoas que acabam indo até a Suécia, guardam pouquíssimos dias apenas para matar a curiosidade sobre o lugar, conhecendo apenas Estocolmo, a capital. Mas há muito além de Estocolmo. A Suécia não é um país grande, são 1.572km para ir de norte a sul em boas estradas, cortando vilarejos e com uma bela paisagem ao redor, que vai mudando bastante a cada trecho rodado.

Aí vão 10 motivos de muitos para cogitar ir para lá:

1. VER AURORA BOREAL

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Já que eu fiquei monotemática por um tempo, vale ressaltar que a Suécia tem dois dos melhores pontos para ver aurora boreal e eu estive em ambos: Kiruna e Abisko. Duas cidades no extremo norte do país, na Lapônia, já bem acima do Círculo Polar Ártico. Tem vôos com ótimos preços saindo de Estocolmo. Estando por ali, vale dirigir até Abisko, uma cidade com apenas 85 habitantes, ainda mais ao norte da Suécia. Abisko é um ótimo refúgio para quem ama natureza e quer ficar mais afastado das luzes para assistir às auroras boreais, já que o vilarejo é pequeno e a iluminação é bem pequena. Por lá tem também uma minúscula estação de esqui, com apenas um ski-lift, mas já que está por lá, por que não dar uma esquiada, ver aurora boreal e tomar boas cervejas?

A estação de esqui fica a 900m acima do nível do mar, proporcionando uma vista única de Abisko. Para quem quiser se aventurar por lá no próximo inverno, a recomendação para conseguir hospedagem é começar a planejar a viagem no máximo em outubro e já agendar os tours para se deleitar com as luzes do norte. Nós ficamos no Youth Hostel, no meio do parque. Ah, Abisko fica a menos de 35km da Noruega, fazendo fronteira com Narvik, ou seja, a aproveita e dá uma circulada na região que é linda.

2. HOSPEDAR EM UM HOTEL DE GELO

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Hoje é possível encontrar alguns hotéis de gelo nos cantos mais frios do planeta. Mas o Icehotel  é o maior e foi o primeirão a ser construído no mundo, em Jukkasjärvi, também na Lapônia, pertinho de Kiruna (aproveita e faz tudo). Para os mais desavisados, o hotel derrete no verão e volta a ser construído entre novembro e dezembro, abrindo as portas para os hóspedes entre dezembro e meio de abril. A cada temporada o Ice Hotel traz um novo artista para criar um hotel completamente diferente do anterior. Os valores dos quartos começam em torno de R$1.000 a noite e é com certeza uma experiência única.

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Para quem preferir ficar num lugar mais quentinho, é possível se hospedar em outros hotéis nos arredores e fazer o tour para conhecer o Icehotel sem ter que se ficar nele, mas não deixe de ir ao Ice Bar. Porém o legal mesmo é fingir-se de esquimó e passar uma noite para viver a experiência de dormir entre -4 e -9C.

3. HOSPEDAR EM UM HOTEL NA ÁRVORE NO MEIO DA FLORESTA

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Quem nunca babou nas fotos do Treehotel? Eu várias vezes, já que ultimamente alguns amigos andaram se escondendo por lá. O hotel fica no no vilarejo Harads, que tem apenas 600 habitantes, e fica a 100km de Luleå, onde fica o aeroporto. Porém prepara o bolso, porque a experiência tem um preço salgado, cerca de R$ 1.700/noite. Vale para uma boa lua-de-mel.

O hotel foi inaugurado em 2010 com 8 quartos, cada um em uma árvore diferente, que ficam de 4 a 6m de altura suspenso do chão. Eles tem também toda uma preocupação ecológica e de sustentabilidade. Se ainda der sorte e estiver na época certa, é capaz de ver aurora boreal por lá. Fico imaginando o espetáculo que deve ser. Já choro emocionada só de pensar.

4. CONHECER ESTOCOLMO

foto SergiyN - shutterstock.com
foto SergiyN – shutterstock.com

Na minha singela opinião Estocolmo é uma das cidades mais bonitas que já visitei. Bem organizada, jovem, moderna, limpa, chique, cultural, tem ótima gastronomia, muita história pra contar e noite badalada. Aliás, é um dos lugares que melhor comi na vida. Todo mundo fala inglês (como em qualquer outro canto da Suécia), é fácil se locomover, ótima para se inspirar. Eu já escrevi tudo que sabia sobre ela nesse guia, que você pode conferir para ter certeza que precisa urgente conhece-la. Estocolmo é uma cidade melhor para conhecer nos períodos mais quentes do ano, pois no inverno ela fica bem sem graça (não ache óbvio, pois tem lugares na Suécia que são mais legais no inverno, em especial a região da Lapônia).

5. CONHECER GOTLAND

Visby - foto: GoodMood Photo - shutterstock.com
Visby – foto: GoodMood Photo – shutterstock.com

Gotland é a maior ilha da Suécia, composta de corais e rocha calcária abrigando vários lugares interessantes para conhecer, como Visby, uma cidade medieval fundada no século X, super charmosa, cercada por muralhas e considerada patrimônio mundial da humanidade pela Unesco. Para quem ama cinema, é em Gotland que fica Fåro, onde Ingmar Bergman se estabeleceu e rodou os filmes A Hora do Lobo, Vergonha e A Paixão de Ana. Fåro tem paisagens áridas, onde diversos lugares apresentam os famosos raukar de Gotland, que são pilares de formas estranhas, esculpidos pelo mar na rocha calcária.

Fåro - foto tony740607 - shutterstock.com
Fåro – foto tony740607 – shutterstock.com

Para quem adora natureza, praia, cinema e história, Gotland é um prato cheíssimo e dos bons.

6. TEM UMA DAS MELHORES TRILHAS PARA CAMINHADAS DO MUNDO

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Kungsleden é uma trilha de 450km que vai de Abisko, no extremo norte, à Hemavan. A trilha tem trechos fáceis e outros que necessitam de mais preparo, mas bem, caminhar 450km já não é para qualquer um. Claro que não é necessário fazer a trilha inteira, dá para começar em uma das cidades que a cortam e ir até outra. As cidades são Abisko (está em todas), Nikkaluokta, Saltoluokta, Kvikkjokk, Ammarnäs e Hemavan. Dá uma pesquisada em cada uma delas para ver tudo que oferecem de paisagem e natureza. É de cair o queixo.

7. VISITAR A “COTE D’AZUR” ESCANDINAVA

Marstrand: foto Sanjay Deva - shutterstock.com
Marstrand: foto Sanjay Deva – shutterstock.com

Marstrand é um dos lugares mais concorridos no verão sueco. Formado por duas ilhas, uma delas chamada Marstrandsön que abriga a fortaleza militar de Carlsten, datada do século XVII, que vale a visita. É um dos melhores lugares do mundo para assistir regatas. Basta pegar um lugar ao sol nas pedras da ilha, armar a cesta de picnic, abrir uma garrafa de vinho e assistir de “camarote”. Por lá rola o Match Cup que é um belo espetáculo para assistir enquanto se bronzeia sob o sol sueco. A ilha é toda de pedras, bem diferente das nossas praias, mas nem por isso deixa de ser bela.  Também tem uma praia de nudismo, mas curiosamente dividida por sexo (e a gente pensando que os suecos eram super modernos). Vale dar uma volta na ilha inteira caminhando sem pressa.

A cidade fica a 46km de Gotemburgo, ou seja, um pulinho…

8. CONHECER UMA COMUNIDADE SÁMI

foto: http://chalmeristbloggen.wordpress.com/
foto: http://chalmeristbloggen.wordpress.com/

O sámi, ou lapões como conhecemos em português, é um dos maiores grupos indígenas da Europa, totalizando uma população de cerca de 70.000, espalhados pelas regiões setentrionais da Suécia, Noruega, Finlândia e da península Kola, na Rússia. Na Suécia são 17.000 sámi vivendo à base de caça, pesca, agricultura e, principalmente, na criação de renas. Hoje eles já não tem uma vida nômade como outrora, mesmo estando a cerca de 340km ao norte do Círculo Polar Ártico, onde a luz do sol não aparece por meses, enquanto no verão o sol não se põe por outros meses, brilhando sob a neve que cobre a região. Diferentemente do passado, hoje eles vivem em casas, tem TV, acesso à Internet e se locomovem com quadriciclos e trenós motorizados. É com certeza uma das regiões mais selvagens do norte europeu.

É possível fazer passeios para ver renas, alces, lobos e outros animais selvagens. Vale também a visita no mercado a céu aberto Jokkomokk, que existe há 400 anos e funciona somente por 3 dias no início de fevereiro.

9. UM DOS MELHORES LUGARES PARA QUEM GOSTA DE DESIGN

Betonggruvan por http://www.elinstromberg.com
Betonggruvan por http://www.elinstromberg.com

Não preciso bater muito nessa tecla. Quem gosta de design, sabe que a Suécia é uma das mecas sobre o assunto. No design sueco você sempre irá encontrar objetos que primam pelo funcional e estilo. Nomes não faltam na imensa lista como Carl Malmsten, Yngve Ekström, Bruno Mathsson, Studio Kinnekulle, Anna Lerinder, além das mais populares H&M e Ikea. Para quem for para Estocolmo, basta ir bater perna em Södermalm, que opções não irão faltar e vale tudo: design de móveis, roupa, objetos, etc., além do próprio design de interior das lojas, hotéis, restaurantes, etc… enfim, olhar tudo à sua volta enquanto estiver por lá.

10. MIDSUMMER

É uma das festas suecas mais típicas do país, em que a Suécia pára completamente para celebrar o auge do verão com muita comida, bebida, danças, bebida, rituais pagães e bebida. Muitas pessoas se vestem com roupas típicas, as mulheres colocam flores no cabelo e a festa não tem hora para acabar. A festa acontece sempre numa sexta-feira desde o século VI, é levantado um mastro gigante coberto de flores e coroas em que as pessoas dançam em volta. Cantam e bebem, bebem e cantam, a cada intervalo da música mandam ver num gole de schnapps. Ou seja, já vai fazendo amizade com os suecos caso tenha a intenção de ir para lá em junho e confesse que morre de vontade de curtir um verdade midsummer eve. Eu ainda não consegui pegar uma, mas sei que não vou escapar.

E aí, se animou em conhecer a Suécia?? Se for no verão, recomendo incluir o festival de música Way Out West, que rola em agosto em Gotemburgo. O festival é cheio de referências bacanas, bandas que ainda vão dar o que falar, clima incrível num parque bem bonito perto do centro da cidade.

*Foto destaque:  vichie81 – shutterstock.com

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

16 de April, 2014

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