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Guia: Lisboa para se perder entre ladeiras e literatura

Quem escreveu

Livia Aguiar

Data

20 de July, 2018

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Lisboa está bombando. Na verdade Portugal inteiro está se reinventando com o estímulo ao turismo e à tecnologia (Lisboa é polo de start-up na Europa, a ~nova Berlim~, dizem). Os jovens estão voltando pro país com dinheiro estrangeiro e ideias para investir. A capital de Portugal está mudando – e rápido. É 2018 e a cidade está toda em obras, andaime para todo lado, prédios que estavam decaídos estão revivendo. Pensa que há 10 anos Portugal estava com a população envelhecendo (ainda está), os poucos jovens migrando pra países com melhores chances econômicas, os velhinhos morrendo e deixando de herança casas enormes para serem divididas entre os filhos e netos… mas a década de 2010 foi a virada para a cidade.

O governo estimula a imigração de gente rica por meio do Visto Golden (chineses e brasileiros são os que mais conseguem o benefício), nômades digitais europeus se beneficiam do livre trânsito para trabalhar em Portugal com salário francês, alemão, sueco… e tem mais:

Turismo tá bombando porque o país é mesmo uma mina de pedras preciosas a serem descobertas, com seus povoados tradicionais charmosos, praias lindas tanto com águas calmas ou ondas gigantes, montanhas roliças, comida deliciosa e os preços, ah, os preços amigáveis, bem mais baixos do que outros países da Europa. E Lisboa é a capital dessa mudança, cosmopolita, a que recebe mais atenção, mais gente, mais investimento. Se há dez anos o clima era de fado saudoso entre prédios decadentes, hoje é samba, kuduro, música balcânica, rap e também o fado, tudo misturado.

Nem tudo é arco-iris. Alguns dos prédios antigos de Lisboa foram comprados por ricos chineses, russos, brasileiros, franceses, etc e permanecem só com a casca histórica, um shopping center horroroso construído dentro. Outros estão sendo menos estuprados e voltando à vida mantendo suas características originais, só que com as reformas muitas vezes os preços sobem e a alta dos aluguéis e compra de imóveis é assunto diário na mídia portuguesa. Cabe ao governo controlar isso, mas por enquanto os poderosos não tão nem aí que os portugueses estão tendo que se mudar pra periferia pra dar espaço pra Airbnb e outras formas de alojamento temporário pra estrangeiros.

Como turistar sem apoiar esse tipo de iniciativa? Tentando ficar em hoteis e hostels que não sejam de grandes empresas (se o dono do hostel for o administrador lá no dia-a-dia, ainda melhor), fugindo das armadilhas para turistas e procurando lugares autênticos, onde você vai se sentar numa mesa ao redor de gente que vive em Lisboa e cuida da cidade, sejam eles portugueses ou estrangeiros que querem que a alma da capital não se perca entre restaurantes de tapas e baladas de música eletrônica na beira do Tejo.

A Dani Valentim passou 2 meses por lá e deu mais dicas de sobrevivência para te ajudar a se virar.

Algumas observações

A gente consegue entender as palavras que os portugueses falam (na maioria das vezes), mas vale lembrar que Portugal não é o Brasil. Eles têm outra cultura, com outros usos para a mesma gramática e umas centenas de anos de história diferente da nossa (e lados diferentes da mesma história desde 1500). É divertido identificar essas diferenças e não se envergonhe de perguntar quando não entender. Esteja certa de que abismos de linguagem irão ocorrer e que os portugueses também costumam achar que os hábitos culturais do Brasil são iguais aos de Portugal, e costumam não entender porque a gente não entende do quê eles estão falando – ou quando nos ofendemos com algo que para eles é normal ou vice-versa. Paciência, simpatia e, se não der para conectar os pontos mesmo depois de tentativas de compreensão dos dois lados, apenas sorria, acene e mude de assunto, rs.

Os portugueses geralmente entendem bem o sotaque brasileiro, mas a recíproca nem sempre é verdadeira. Eu sofri um pouco no começo para entender tudo que me diziam, mas depois me acostumei. Adotei para vida: pois (para dizer “sim” ou apenas concordar com o que o migo tá falando e estimular que ele siga falando), bué (“muito”, usar bué é viciante), brutal (algo muito forte, pode ser bom ou ruim, é tipo o nosso “foda”), perceber (no sentido de “entender”)… aos poucos você vai descobrindo as palavras tugas e fazendo seu dicionário pessoal.

Falar sobre colonialismo é delicado. Eu gosto de puxar assunto polêmico, então fiz muitas perguntas sobre colonialismo para entender como as pessoas do outro lado do Atlântico aprenderam na escola, como diferentes grupos pensam a partir dessa educação e sua experiência de vida e tal. Mas estava sempre pronta a só concordar e acenar quando a opinião da pessoa em questão era muito absurda (tipo achar que a colonização espanhola foi muito pior que a portuguesa, achar que Portugal fez um favor pro Brasil ao colonizá-lo, etc) e eu não tava afim de discutir.

Quem escreveu

Livia Aguiar

Data

20 de July, 2018

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Livia Aguiar

Lívia viaja em busca de histórias, sabores e experiências diferentes em todo lugar que vai, seja um vilarejo de 50 habitantes ou uma megalópole de 21 milhões. Mineira de Belo Horizonte, já deu a volta no mundo sozinha, morou em Assunção, São Paulo, Cidade do México e Óbidos, tem um bom humor matinal insuportável e acha que pra viajar basta sair de casa aberta para experimentar algo novo - na nossa própria cidade ou do outro lado do mundo. Escritora, jornalista e blogueira no www.eusouatoa.com.

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