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Chicken or Pasta na temporada 2019 do Valle Nevado.

Decoding The Next Web - e o coração da Tecnologia

Quem escreveu

Chicken or Pasta

Data

13 de May, 2019

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Apresentado por

Continuando o nosso projeto Decoding Innovation Festivals, a nossa parada essa semana foi Amsterdam. The Next Web se tornou um dos principais festivais de tecnologia da Europa, com repercussões no mundo todo. O evento anual que começou em 2006 chega à sua 14ª edição em 2019 com a proposta de reunir em torno de 17.500 mentes digitais para compartilhar idéias, aprendizagens e fazer negócios. É a perfeita convergência entre tecnologia, negócios e inovação. Foram dois dias de festival (09 e 10 de Maio) em que acompanhamos showcases de líderes de mais 3.500 empresas em painéis, palestras e workshops sobre as grandes tendências no mercado e inovação.

A escolha de basear o evento na cidade de Amsterdã não é por acaso. A capital concentra uma das maiores quantidades de startups e empreendedores, além de ter sido considerada uma das cidades mais inteligentes do mundo. Tornou-se um território, portanto, mais do que atraente para uma grande comunidade de investidores e empresas, que vê Amsterdã como sua base de operações e como vitrine de ideias e de influência para o mercado mais amplo.

Gustavo Nogueira e Rodrigo Turra, da TORUS, estiveram no evento a convite do Chicken or Pasta e White Rabbit, acompanhando os dois dias de #TNW2019. Aqui estão nossos aprendizados e pontos altos do que aconteceu por lá, e temas para se prestar atenção nesses tempos de constante transformação.

Lições de uma vida na tecnologia, do Guy Kawasaki

Foto: Torus

Um dos headliners mais aguardados do evento compartilhou algumas dicas de seu novo livro “Wise Guy”. Aos 65 anos, ele fez a brincadeira de que é velho suficiente para ter coletado esses aprendizados e novo o bastante para não tê-los esquecido. Algumas das lições compartilhadas por Guy Kawasaki:

1. Mude o jogo em que está perdendo: “Ser único é sobre transformar uma indústria que poucos estão olhando.”
2. Eduque-se: “Os professores e chefes mais severos foram os que mais me ensinaram. Os maiores influenciadores da sua vida serão eles.”
3. Se motive de qualquer jeito que conseguir.
4. Entre do jeito que der: “O que importa é o que você faz quando está dentro de uma companhia. Não como você começou.”
5. Não procure problemas: “Faça as coisas certas e dê às pessoas o benefício da dúvida.”
6. Ame seu trabalho: “Você vai gastar muito tempo trabalhando. Pelo menos gaste seu tempo com uma empresa em que você acredita.”
7. Lembre-se dos seus amigos: “Para se ter sucesso, é importante reconhecer as pessoas que te apoiam nessa jornada. O seu círculo de network importa.”
8. Continue aprendendo: “Aprender é um processo contínuo. Nunca deixa de ser um aluno.”
9. Faça o que tem que ser feito: “A maioria das minhas falas são gratuitas. Porque entendo que assim minhas ideias podem se conectar com aqueles que precisam me conhecer.”
10. Encontre seu ponto alto.

“Com singularidade e sem valor, você é apenas um palhaço. Com muito valor e sem singularidade, você vai ser copiado cem vezes e esquecido. O iPod da Apple foi único e tinha valor para as pessoas. Encontre o seu ponto iPod”

Lessons from a Life in Technology. Guy Kawasaki, author of the book “Wise Guy”

Inovação (e propósito) de verdade

Sim, já causa um certo cansaço escutar ambas palavras hoje (“de novo?”), e é justamente a provocação que Alain Sylvain, CEO do Laboratório de Inovação SylvainLabs fez em sua fala sobre a fetichização da inovação. Ele trouxe o conceito de saciação semântica, quando uma palavra ou frase é tão repetida que é esvaziada de seu significado e sugere um plano de ação para retomarmos o significado da inovação. Todos os cases de inovação que ele trouxe foram de pessoas negras, como Berry Gordy com a Motown Records nos anos 1960 quando a ideia é expandir, ou a Beyoncé e o Obama como aqueles que não ficam apenas afirmando que são inovadores, apenas o são.

Foto: Torus

“Mudança nunca foi tão rápida, e nunca mais vai ser tão devagar”
Gordon Moore, cofundador da Intel

“Olhe o que está quebrado na sociedade e descubra como arrumar isso. E então, ao redor disso, formule um negócio.”
Whitney Wolfe Herd, fundadora e CEO do Bumble

Outro exemplo de real iniciativa e propósito foi a Chivas Venture, que teve sua final no #TNW2019, uma premiação para empreendedores que fazem a diferença social em seus negócios. Esse “apelo à ação” premia empresas de impacto do mundo inteiro com US$ 1 milhão. Na etapa popular, na qual usuários participaram de uma votação pela internet, a vencedora foi a startup brasileira Cataki, do grafiteiro Mundano , com um aplicativo que conecta pessoas interessadas em doar materiais recicláveis a catadores e cooperativas. 

Tech pela democracia

Já passou o tempo de acharmos que tecnologia não influencia governos, políticas e a balança democrática. O debate em torno de como tecnologias emergentes podem estar à serviço de melhores políticas se tornou fundamental em nosso tempo presente.

No evento, uma das primeiras ativações que gerou curiosidade foi a da polícia local. Eles estavam por todo o festival, tinham uma tenda de workshops para tratar de assuntos como segurança, vigilância e dados, além de instalações interativas para coletar opiniões e causar reflexões sobre os lados negativos e positivos de implementar determinadas tecnologias nas cidades. Estimulando, dessa forma, uma reflexão sobre que tipo de polícia e política de segurança pública que se quer.

Um painel interessante foi sobre a Aceleração da digitalização inclusiva. Uma conversa profunda sobre quem tem acesso às tecnologias que melhoram o bem-estar do cidadão. A quem esta tecnologia está servindo? Quais problemas estão sendo resolvidos? E como tornar isso escalável, seguro e ainda democrático? Francesca Bria, CTO da Cidade de Barcelona, contou sobre o planejamento de digitalização da cidade e como 70% dos programas que têm ido para votação tem origem nesse programa. A Estônia é sempre citada como um benchmark de e-governo.

“Inovação é política. É sobre as escolhas que fazemos como sociedade”
Francesca Bria, Chief Technology and Digital Innovation Officer de Barcelona

Tech pelo planeta

Se no ponto anterior destacamos o potencial que as tecnologias emergentes podem ter de influenciar a balança da democracia, nesse apontaremos as aprendizagens relativas à preservação do nosso planeta.

A ativação da #LushLabs no evento foi destaque nesse sentido. Replicaram no TNW a flagship de Harajuku, onde não usam água ou plástico. Paredes cheias de produtos para banho de diversas formas e cores podem ser escaneadas pelo público através do aplicativo Lush Lens com todas as informações possíveis estimulando a conscientização do uso do plástico. Inteligência artificial e machine learning aliadas na construção de um futuro sustentável.

A presidente da Unilever Europa, Hanneke Faber, compartilhou no palco principal como a gigante está usando tecnologia para otimizar seus processos, pensando em propósito e futuro. Nos últimos 5 anos, a Unilever adquiriu mais de 50 empresas. Todas elas passam por um filtro de propósito, como a holandesa “The Vegetarian Butcher”, que produz substitutos vegetais para carne. Além disso, já estão implementando Blockchain para acompanhar toda a cadeia de produção de suas marcas de chás de forma sustentável e com práticas humanas.

O aprendizado aqui é que as organizações tomem para si o propósito de mudança no planeta. É o que apontou diretamente Emanuele Madeddu, vice presidente executivo da National Geographic, mostrando que é possível marcas permanecerem fiéis a quem são, ao mesmo tempo que estimulam um sentimento de pertencimento comunitário em sua audiência. Ele comentou que as redes sociais da National Geographic estão nas mãos dos documentaristas e fotógrafos, depois de receberem um “storytelling training.” E isso é crucial para a legitimidade e autenticidade do que fazem. Um case icônico que ele compartilhou foi o do ‘Planet or Plastic’.

Emanuele Madeddu, da National Geographic, mostrando como as marcas estão se tornando auxiliares no crescimento pessoal das pessoas, e como pensar nas necessidades do planeta deve fazer parte do pensamento das corporações e marcas, além das necessidades dos clientes.

A Petah Marian, da WGSN, trouxe ótimos insights sobre os novos consumidores e o papel das marcas, mostrando a importância de usar dados para o bem, criar pertencimento, ser líder nas causas que seus consumidores se importam a ajudar na reeducação ecológica da sua audiência.

Comunidade e Pertencimento

Foto: Torus

Pertencimento foi mesmo uma das palavras-chave do evento. Sentir-se parte e agente de algo é a base para a construção de comunidades e nas necessidades humanas. E é esse movimento que as organizações precisam aprender a fazer parte e a estimular, junto à sua audiência. Chris Slowe, diretor técnico do Reddit, compartilhou o aprendizado da importância de dar maior poder de ação na interface do usuário: quanto mais liberdade o Reddit deu a seus usuários, mais sucesso a empresa teve em troca, já que o engajamento da comunidade era maior. Pode parecer bastante simples, mas para ecoar a observação final de Slowe, “coloque sua comunidade em primeiro lugar.” Saudades Orkut.

Marcas e empresas podem (e devem) tomar parte nesse movimento. Se tornando elas mesmas agentes de mudança. Nesse processo, até mesmo o estímulo à gentileza na construção de marca e, consequentemente, nas relações sociais já pode ser um instrumento de transformação. É o que apontou Louise Troen, VP de Marketing Interno e Comunicações da Bumble no Reino Unido. Em sua apresentação, destacou o propósito empoderador feminino enquanto motivador na criação do aplicativo de relacionamentos, hoje avaliado em mais de US$1 bi. O app recentemente usou IA para censurar automaticamente fotos de nudez não solicitadas e para tornar o espaço mais seguro e amigável. “Colocar a segurança das mulheres em primeiro lugar é a nossa principal prioridade”, disse Troen.

“É impossível desenvolver um relacionamento profundo, com significado e de respeito com alguém se vocês não forem bons uns com os outros”
-Mark Twain, escritor Americano

Diversidade

Foto: Torus

O fortalecimento de comunidades se dá pelo respeito à diversidade, afinal cada grupo possui as suas necessidades particulares. Essa é uma das lições que o TNW já aprendeu e ao longo do evento foi possível perceber o esforço em iniciativas que usem a tecnologia para estimular a igualdade de oportunidades, a autonomia e o desenvolvimento de grupos ainda em situação de vulnerabilidade.

O investimento na igualdade de gênero foi perceptível, por exemplo, não só na cada vez maior quantidade de mulheres nos painéis e de convidadas, como também na criação de uma vertente do festival voltado para elas, o The Next Women Summit, uma iniciativa que estimula a presença de mulheres na indústria da tecnologia. Ao longo do evento não houve receio nenhum em afirmar que o futuro da tecnologia emergente, definitivamente, será feminino.

Irine Gaasbeek, Country Manager da Accenture, foi enfática sobre a responsabilidade de empresas digitais no contexto global atual, e na importância de entender o todo e o impacto das inovações da sua empresa no mundo e nas pessoas. A ideia de crescimento dá lugar à de “crescimento inclusivo” e a inovação ganha uma camada de ética. Igualdade é um dos pilares reforçados por ela.

Arte e Tech

Uma das surpresas foi do palco todo dedicado ao debate sobre a interconexão entre arte e tecnologia, Art of Tech. A tenda sempre tinha filas. O avanço constante das techs emergentes vem reconstruindo a maneira como criamos, apreciamos e experimentamos a arte. Até mesmo a nossa capacidade criativa deverá ser repensada a partir do que essas novas ferramentas permitem. Tornam-se formas potenciais de impacto para a cultura em geral e para a sociedade no futuro. 

A fala do futurista/estranho Rama Allen, Diretor Executivo Criativo do estúdio imaginativo The Mills  foi exemplar nesse sentido. Sua apresentação articulou a arte através de ferramentas como IA, biometria e Blockchain. A provocação que ele faz é inspiradora: artistas precisam lembrar do seu poder de transformação para criar seus futuros desejáveis, e a tecnologia é aliada em criar essa sensibilidade e escalabilidade. Fica aqui o link da newsletter dele, onde compartilha seus métodos de criação: Miraculum.io

“Nós só conseguimos ver uma distância curta a nossa frente, mas nós vemos muito que precisa ser feito.”
-Alan Turing

 

Foto: Torus

Nosso grande aprendizado

Se pudéssemos concluir com um grande aprendizado do que vimos nos dois dias de festival, é que não há inovação, empreendimento ou desenvolvimento tecnológico que não passe pela importância do desenvolvimento humano. Não à toa, o slogan do festival é o Coração da Tecnologia. O poder da tecnologia está justamente na sua potência de transformação sociocultural. Um processo de transformação ao qual precisamos estar alinhados e participando ativamente como agentes.

Esse é o espírito do nosso tempo atual: o esforço de construção de futuros melhores para todos. As organizações mais criativas em destaque no mundo estão se dando conta disso e cabe a nós despertarmos para tomar nosso papel e fazer parte dessa jornada. A pré-venda de 2020 já está aberta para quem se interessar.

 

Texto por:  Torus

Victor Hugo Barreto
Rodrigo Turra
Gustavo Nogueira
Sarah Brito

*Foto do destaque: The Next Web – Divulgação

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Chicken or Pasta

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13 de May, 2019

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