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Minha empatia seletiva com as mulheres no SxSW

Quem escreveu

Janine Bitencourt

Data

20 de March, 2018

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Ainda sob o impacto da morte brutal de Marielle Franco no Rio, resolvi escrever uma ode às mulheres incríveis que encontrei nos dias em que estive em Austin (Texas) e que fizeram bonito em busca de espaço e visibilidade. Porque celebrar nossas vozes é também um tributo às que já não podem mais serem ouvidas.

Comecei o festival num painel em que a brasileira Carla Crippa, diretora de sustentabilidade da Ambev, contou sobre uma iniciativa social da empresa de direcionar 100% do lucro com a venda da água AMA para a abertura de poços no semi-árido brasileiro. De lá, acompanhei uma discussão sobre o Futuro do Capitalismo e conheci Kesha Cash, negra, fundadora do Impact America Fund e eleita uma das Top Five Game Changers pela Forbes. Saí emocionada depois de uma discussão que envolveu capitalismo consciente, orgânicos e impacto social.

Lena Dunham. Foto: Lalai Persson.

Sábado de manhã, resolvi apostar num keynote pelo nome: A armadilha da Mediocridade e não me decepcionei. Carmen Medina tem 58 anos e mal alcançava o microfone, mas seus 32 anos de CIA, sua irreverência e suas lições de rebeldia fizeram todos saírem de lá mais otimistas com um novo perfil de liderança. A estrela do dia era Lena Dunham, escritora e roteirista de Girls, que lotou o maior auditório do ACC, com um figurino bacana e um cabelo desleixado. Estava acompanhada de Samantha Barry, editora da Glamour e ex-produtora da CNN, e falaram sobre autenticidade, quebra de padrões femininos, vulnerabilidade, novos projetos e do incrível newsletter chamado Lenny Letter.

Beyond SpaceX: The New Space Ecosystem. Foto: Emily Calendrelli.

No Alamo, assisti a sete curtas bacanas do Shorts Program 3 e quatro deles foram dirigidos por mulheres. Representatividade conta. Domingo, o tema era O novo Ecossistema Espacial e adivinhem? As 3 convidadas eram mulheres: Emily Calandrelli produz o FOX’s Xploration Outer Space, Jeanette Quinlan conecta startups aeroespaciais com investidores bilionários e Natalya Bailey trabalha com pequenos satélites, está na lista de empreendedoras da Forbes “30 under 30” e, nas folgas, amamenta um bebê loiro que a esperava na platéia. Para descontrair, o próximo painel chamado “Using Explicit Sex as a Storytelling Element” reuniu 4 respeitadas diretoras de conteúdo adulto, provando que dá para unir sexo explícito e boas histórias. Sigam urgente essas mulheres nos sites: Angie Rowntree (SSH.com), Dr. Chauntelle Tibbals (Chauntelle Tibbals), Shine Louise Houston (Pink White) e Dee Severe (Severe Sex Films).

Melinda Gates. Foto: Chris Tobon

E para falar do Futuro do Trabalho, chamaram apenas Melinda Gates que disse “espero que o Bill esteja em casa com as crianças, conforme combinamos quando sou eu quem está no palco”. Justo, né? Foi mais uma sessão 100% feminina, com metade da mesa bem representada por mulheres negras, Nina Shaw e Stacy Brown-Philpot, ambas com currículos extensos e invejáveis. No próximo evento, desejei ser sócia da criadora do The Wing, Audrey Gelman, que teve a brilhante ideia de abrir um clube feminino de trabalho e incentivo a projetos, já com 5 sedes no mundo e mais de 5 mil mulheres na fila de espera. Alguém aí quer abrir o The Wing SP comigo?

White Rabbit House. Foto:

Fora dos palcos, fiquei na casa das meninas da White Rabbit com mais 20 brasileiros e TODAS as mulheres de lá sabiam o que era Blockchain. Cada café da manhã era um mini TED e eu tentei disfarçar meu deslumbramento. Fernanda Daudt, diva-Pinterest e minha companheira de cama, acordava quietinha às 6 da manhã para levar suas bolsas do Volta Atelier das passarelas de NY para o stand da APEX Brasil. Fernanda Lima e Liniker foram duas que desfilaram pela cidade com suas criações. Das 3 Alines poderosas da casa, fiquei mais próxima da Aline Mazzarella, produtora carioca fashion e conectadíssima do Estúdio Giz, que andava por Austin atraindo de influencers do canal GNT a produtores holandeses interessados em co-produzir conteúdos brasileiros. Também aproveitamos as melhores festas entre os whatsapp de vídeo com os filhos, porque não somos de ferro.

Photo: Lalai Persson

Não posso deixar de acrescentar um parágrafo sobre os caras incríveis, respeitadores e incentivadores que estavam lá também e que me incluíram nos rolês e trataram todas nós como brothers, ou sisters. Um exemplo lindo foi um homem que tinha direito de fazer a última pergunta para os convidados do painel e deu o seu lugar ao microfone para a mulher que estava logo atrás dele. Esse foi bastante aplaudido.

Mulher Maravilha. Foto: Lalai Persson.

É claro que eu queria muito que esses 5 dias refletissem a rotina mundial da mulherada, mas não sou tão ingênua a ponto de não perceber que foi apenas uma bolha, um vislumbre de como seria bacana viver num mundo igualitário, que valoriza, aposta e dá voz para mulheres de sucesso inspirarem as que estão a caminho. De qualquer maneira, foi lindo de ver onde podemos chegar quando não nos calam.
*Foto Destaque: Elis Pedroso.

Quem escreveu

Janine Bitencourt

Data

20 de March, 2018

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Janine Bitencourt

Publicitária metida a escritora, mãe meio Waldorf e empreendedora de orgânicos.

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