Conhecendo o Louvre com a Beyoncé

Quem escreveu

Renato Salles

Data

04 de July, 2018

Share

Se você já foi alguma vez ao Museu do Louvre em Paris, provavelmente saiu de lá com uma baita preguiça de voltar. Isso porque ele é um dos maiores museus do mundo, tem mais de 380 mil peças no acervo (só 35 mil ficam em exibição permanente), e para você conseguir ver tudo, precisa de pelo menos quatro dias inteiros dedicados só a isso. Correr uma maratona não parece tão difícil assim, não é? Brincadeiras a parte, visitar o Louvre é realmente um exercício de condicionamento e paciência. As distâncias lá dentro são realmente enormes e a muvuca é garantida diariamente.

Mas agora, se você quiser fazer uma visita express, e ver tudo que tem de mais importante lá dentro, sem gastar nenhum tostão, seus problemas acabaram! Na calada da noite, o casal megastar Beyoncé e Jaz-Z fez a cena das artes clássicas virar de ponta cabeça, gravando seu último clipe, da música ‘Apeshit‘, escondido no museu. Em pouco mais de 6 minutos, dá para ver as obras mais importantes do acervo, aquelas que ao vivo sempre tem uma multidão em volta se engalfinhando para conseguir uma boa foto para o Instagram. Claro que para a realeza de Bey-Z, o Louvre abriu as portas com exclusividade, então é bem provável que essa seja a melhor visão que você vai conseguir das obras-primas na vida. Então, sem mais delongas, ei-las:

Claro que o clipe não saiu incólume, e teve muita porrada e gritaria em torno da polêmica. Puristas não se conformam que uma das mais importantes instituições de arte do planeta tenha se ‘vendido’ para o mundo pop. Já o mundo pop não parece muito preocupado, e o vídeo já coleciona 58 milhões de visualizações. Talvez essa seja a única forma que muita gente, pelo mundo todo, com menos condições vai conseguir entender a suntuosidade e a relevância do Louvre. E com certeza muita gente (mesmo as com condições) vai descobrir que existe um universo além da Mona Lisa ali dentro.

E o Louvre nisso tudo? O museu deve estar rindo à toa. Apesar de não precisar muito de propaganda, essa cartada fez a sua popularidade disparar, principalmente no público jovem. E não demorou para capitalizar em cima disso. Agora já está disponível para quem vai ao museu, uma espécie de ‘tour dos Carters’. Em 1h30 de percurso, você passa pelas 17 obras que aparecem no video, que estão entre as mais importantes do acervo. Além, claro, de ‘La Gioconda‘ de Da Vinci, o tour passa por ‘A Coroação de Napoleão’ e o ‘Retrato de Madame Récamier’ de Jacques-Louis David, ‘A Balsa da Medusa’ de Théodore Géricault, ‘O Casamento de Canaã’ de Veronesi, a ‘Grande Esfinge de Tânis’ do Egito Antigo, a célebre ‘Venus de Milo, e a exuberante ‘Vitória de Samotrácia’ na escadaria, ambas da Grécia Antiga.

beyoncé no louvre, apeshit
O casal em frente à ‘Vitória de Samotrácia’

Quem visita o Louvre pela primeira vez, provavelmente vai acabar vendo isso mesmo. Bey-Z só institucionalizaram o roteiro básico. Agora resta saber quem vai conseguir realmente VER a exposição que eles montaram, enxergar além das obras e entender a denúncia que o video faz ao próprio império da arte eurocêntrica, colonialista, masculina e branca. Eu te dou uma ajudinha aqui.

Quem escreveu

Renato Salles

Data

04 de July, 2018

Share

Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

Ver todos os posts

    Adicionar comentário

    Assine nossa newsletter

    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.