De repente, China

A China nos olhos de uma carioca.

Festivais de música

Os melhores festivais de música do Brasil e do mundo num só lugar.

Fit Happens

Aventura, esporte, alimentação e saúde para quem quer explorar o mundo.

Roteiros 12 horas por Treviso

Explorando cidades do nascer do sol ao fim da noite.

Path 2017: A desocidentalização e a diluição das barreiras geográficas

Quem escreveu

Dani Valentin

Data

25 de April, 2017

Share

Patrocínio

Quando Beyoncé postou uma foto no Instagram no começo de fevereiro, anunciando sua gravidez, a internet explodiu. A foto se tornou rapidamente a mais curtida de todos os tempos, ganhando 1,4 milhões de curtidas apenas em sua primeira meia hora. Porém o que mais chamou a atenção nesse caso, foi a discussão sobre a estética escolhida pelo fotógrafo Awol Erizku para o retrato. O artista, que é etíope mas morou boa parte da sua vida no Bronx, trouxe ali influências da arte clássica, da cultura mexicana e de suas raízes, fugindo da noção eurocêntrica que temos do que é belo.

Beyoncé por Awol Erizku
Beyoncé por Awol Erizku

Que a gente é majoritariamente influenciado pelo Ocidente, disso não restam dúvidas. Apesar da globalização, não dá para negar que a relevância ocidental nos movimentos culturais ou na nossa forma de consumo é dominante. Ou pelo menos, foi até agora. É dessa mudança de paradigma que trata a palestra “Fora do eixo: Como os países não ocidentais influenciarão nossa cultura” de Daniela Dantas e Julia Curan no Festival Path 2017. Ambas trabalham na WGSN, líder mundial em pesquisa de tendências, e reconhecem esse movimento. “Nosso mundo globalizado está criando uma nova sede de exploração e compartilhamento cultural, que valoriza tudo o que é inexplorado e autêntico.”, diz Júlia.

Ainda segundo ela, o momento é propício porque o mundo anda cada vez mais mutante e flexível, o que nos faz questionar limites e conceitos anteriormente definidos, incluindo os geográficos. Nós estamos nos conectando de várias formas, sejam elas analógicas ou digitais, virtual ou na vida real, nos tornando cada vez mais cidadãos multilocais. “Em 2019 haverá um aumento na multilocalidade: pessoas que se identificam por uma mistura de lugares, experiências e culturas. A cultura se torna um agente unificador mais poderoso do que a própria nacionalidade.”

Mediterrania por Cristiano Luchetti - Participante da Imagining New Eurasia
Mediterrania por Cristiano Luchetti – Participante da Imagining New Eurasia

Para entender melhor a multilocalidade, vale a pena assistir a maravilhosa palestra no TED da autora inglesa Taiye Selasi, “Don’t Ask me Where I’m From, Ask Me Where I’m Local“. Quando falamos de desocidentalização então, não estamos falando somente de sair do ocidente, mas como países têm influências de vários lugares e como elas estão presentes ali. “Não se trata de um país, mas de uma mescla de culturas e influências de diferentes continentes. Termos como Eurásia (mescla de Europa e Ásia) e Chinafricano começam a ganhar destaque. Exemplo disso: O projeto “Imagining New Eurasia” (Imaginando a Nova Eurásia), com exibição no Asia Culture Centre em Gwangju, na Coreia do Sul,  mostra a distinção entre a Europa e a Ásia como uma construção cultural, promovendo a ideia para unificar novamente o continente da Eurásia.”

Júlia ainda cita outros exemplos, como Ulaanbaatar, na Mongólia, ou Luanda, na Angola, como pólos culturais e urbanos que ainda não foram muito explorados até hoje. “Geograficamente, rotas físicas de comércio estão sendo retomadas e expandidas na Eurásia, África e no mundo, propiciando trocas econômicas e culturais, e colocando novos consumidores no mapa. No mundo digital temos uma infinidade de possibilidades, podemos nos conectar com qualquer pessoa e, qualquer lugar do mundo a qualquer hora. Quando trazemos isso para o campo físico, as coisas não funcionam da mesma forma. Como fazemos então para integrar o mundo todo no plano físico? Como um início desse movimento, vemos antigas rotas de comércio sendo reativadas e expandidas, principalmente para integrar a Ásia e a Africa.”.

E o que esperar dessa palestra? “Que as pessoas saiam inspiradas e, principalmente, curiosas para conhecer essa realidade. As influências não ocidentais sempre existiram, sempre estiveram lá. Que não seja mais necessário a Beyoncé fazer um ensaio fotográfico, inclusive com críticas negativas, para que as pessoas descubram que existe um trabalho além do eixo ocidental que conhecemos.”

Festival Path 2017
Dias 6 e 7 de maio, sábado e domingo
Ingresso: R$ 199* (dá acesso a toda a programação, em ambos os dias)

* Este preço já contempla o desconto de 50% sobre o valor total do ingresso, aplicável aos casos de meia entrada e para quem levar 1 kg de alimentos não perecíveis ou 1 agasalho.

assinou nossa newsletter? Quem nos segue aqui no Chicken or Pasta, além de informações exclusivas, também poderá receber desconto por e-mail!

Credenciamento: 05 de maio, sexta-feira, das 12h às 20h; 06 e 07 de maio, sábado e domingo, das 8h às
19h.
Palestras: sábado (06/05) e domingo (07/05), das 9h às 18h45.
Shows no Centro Cultural Rio Verde: sábado (06/05), a partir das 21h.
Shows na Praça dos Omaguás: sábado (06/05) e domingo (07/05), das 12h às 14h e das 17h30 às 19h30.
Filmes: sábado (06/05) e domingo (07/05), das 20h à 0h.
Feira Gastronômica: sábado (06/05) e domingo (07/05), das 12h às 20h.
Feiras de Startup, Maker e Games: sábado (06/05) e domingo (07/05), das 9h às 18h45

Ingressos à venda em Festival Path.
Foto destaque: Camila Calicchio

Quem escreveu

Dani Valentin

Data

25 de April, 2017

Share

Patrocínio

Dani Valentin

A Dani gasta todo o seu dinheiro com viagens. Um de seus maiores orgulhos é dizer que já pisou em cinco continentes. É do tipo sem frescura, que prefere localização a luxo e não se importa de compartilhar o banheiro de vez em quando. Adora aprender palavras no idioma do país que vai visitar e não tem vergonha de bancar a turista.

Ver todos os posts

    Adicionar comentário

    Assine nossa newsletter

    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.