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Os Cabarés mais famosos de Paris

Quem escreveu

Cibele Maciet

Data

25 de April, 2017

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Você já deve ter visto nos filmes de época de Paris as famosas tavernas, os antigos bares masculinos permeados de prostitutas. Ou então os bordeis, aqueles antros forrados de veludo vermelho nas paredes, locais ‘mal frequentados’ cheios de lascívia e fascínio? Pois então, a realidade não era muito diferente disso, talvez com um pouco menos de romantismo e o glamour do veludo vermelho…Curiosos? Esse post vai te levar numa viagem no tempo diretamente nos puteiros mais famosos da capital francesa!

Mas, antes, só para situar: a prostituição, que surgiu na Mesopotâmia por volta de 2600 a.C. com fins religiosos, chegou em Atenas e Roma (onde as prostitutas eram conhecidos como lupas, tradução livre: lobas) algum tempo depois. De lá, se expandiu para a França, e sob o reinado do rei santificado Luis IX, no século XIII, começou a ser regularizada por lei. Luis obriga as meninas, que trabalhavam às margens do Sena, a praticarem sua ‘expressão artística’  em maisons closes (casas fechadas), com lanternas vermelhas na porta e longe de lugares sagrados. Daí veio o nome bordel, de bordes de la Seine (margens do Sena).

Depois de terem sido enviadas à prisão por Luis XIV e XVI, as mulheres ‘de pouca virtude’, como eram chamadas à época, foram impostas à visitas médicas mensais – para evitar a propagação da sífilis – em 1802 por Napoleão, que legalizará a profissão pouco tempo depois. Mas é na III República (entre 1870 e 1940) que as maisons closes vivem uma verdadeira era dourada, com uma média de 200 endereços oficiais na capital. Isso até serem proibidas de vez em 1946 por uma conselheira municipal da cidade, a antiga prostituta Marthe Richard.

Prontos para o tour maroto?

1. Le Chabanais (anteriormente situado no 12 rue Chabanais, 2ème)
Madame Kelly investiu toda sua rica poupança (ops, trocadilho infame) para fazer deste prédio um dos points mais luxuosos de Paris. Um punhado de reis estava entre os clientes da maison, entre eles Eduardo VII da Inglaterra, que mandou instalar uma ‘cadeira de volúpias’ e uma banheira de champanhe só para ele. Ui!

2. Le One Two Two (anteriormente situado no 122 rue de Provence, 9ème)
Reis, atores e muita gente famosa vinham a esse endereço mítico da capital francesa não somente para praticar ‘atividades libidinosas’, mas também para jantar inocentemente com sua companheira. Mas as cartas não demoravam a serem jogadas na mesa e os funcionários do cabaré apresentavam os quartos, entre eles o Corsário, no qual a cama mexia e assistentes jogavam água no casal (ou no ménage à trois ou à plusieurs, dependendo do mood) para ficar mais real. Haha! Infame.

3. Aux Belles Poules (anteriormente situado no 32 rue Blondel, 2ème)
Um outro endereço luxuoso que, segundo as ‘boas línguas’, recebia a visita de um médico duas vezes por semana para verificar a saúde das jovens mulheres (digo isso porque lá, quando a funcionária atingia uma certa idade, mudava para cargos mais administrativos no seio do business). Tinha fama de ser limpo e organizado.

4. Le Sphinx (anteriormente situado no 31 boulevard Edgard-Quinet, 14ème)
Com décor egípcio e chiquezinho, esse bordel era protegido por um político da época, o ministro Albert Sarraut, e bom número de policiais.

5. La Fleur Blanche (anteriormente situado no 6 rue des Moulins, 1er)

La Fleur Blanche

Esse aqui você vai se lembrar (ou se familiarizar, acho que a palavra aqui é melhor, né?): ele era o preferido de Toulouse-Lautrec, e podemos vê-lo em umas quarenta telas do pintor, como a Salon de la rue des moulins, de 1894, Le Sofa, do mesmo ano, e ainda Monsieur, Ma-dame et le chien, couple de tenanciers de maison close, de um ano antes. Dizem algumas fontes que ele tinha sua própria ‘alcova de prazer’ e que até pintou em muros da maison a Griserie de la belle inconnue. Uma outra obra conhecida do artista é a Inspection médicale de la rue des moulins, que retratava a visita médica ao local, com as meninas que faziam fila e levantavam as camisolas e quimono para o exame ginecológico, de 1894.

6. L’Étoile de Kleber (anteriormente situado no 4 rue de Villejust, 16ème, atualmente 4 rue Paul-Valéry, 16ème)


Adivinha quem morou aqui? A môme Edith Piaf, com sua amiga Simone Berteaut, aka Momone, no terceiro andar inteiro que, segundo ela, era ‘um oásis de paz e tranquilidade’. Aqui, a môme tinha a liberdade de convidar quem e quando ela quisesse (o que não é novidade, já que a cantora viveu boa parte da vida no cabaré de sua avó paterna, o Bernay). A célebre ‘casa de passagem’ também foi muito admirada pelo escritor George Simenon e pelos soldados alemães durante a Ocupação.

7. L’Abbaye (anteriormente situado no 36 rue Saint-Sulpice, 6ème)

L’abbaye

Atenção, esse bordel era especial: ele era destinado à clientela eclesiástica. É isso mesmo que você leu. Monges com a carne um tanto quanto fraca vinham ceder aos encantos das meninas que os faziam ajoelhar no milho nos quartos intitulados Confessionário e Sacristia. As atividades? Ah, não pensem que eles vinham aqui fazer coisas muito religiosas….O negócio era à base de correntes e ganchos. Argh!

8. 2 rue de Londres (9ème)
Era aqui que trabalhava a ‘loba’ Amélie Elie, conhecida como Casque d’Or (tradução livre: capacete de ouro), uma jovem da gloriosa Belle Époque que adorava seu trampo, que praticava deliberadamente com meninos e meninas. Ela se tornou uma espécie lenda quando duas chefes de gangues, Leca e Manda, lutam por ela antes de terminar atrás das grades. Uma verdadeira heartbreaker!

9. Le Temple de l’Impudeur (anteriormente situado no 11 rue de L’Arcade, 8ème)

Hotel Marigny

O único bordel destinado a homens da lista, o ‘Templo do Impudor’ se dizia hétero, mas não tinha nenhuma menina que trabalhava lá dentro. Oops! Eles, tinham, inclusive, um mecenas e cliente fervoroso, nosso querido Marcel Proust, que alegava ‘buscar inspiração’ para sua obra colossal À la recherche du temps perdu. O habitué celebre foi até fichado pela policia através de uma denúncia anônima, num happy hour muito alegre com oficiais de polícia e o amigo, que era o dono da bodega em questão, Albert Le Cuziat. Hoje em dia, o belo Hotel Marigny ocupa a antiga passagem de ‘marinheiros ocasionais’.

10. La Cigarette (anteriormente situado no 3 rue Racine, 6ème)

La Cigarette

Antiga cervejaria para mulheres, como era intitulada na época, a La Cigarrette vendia a cerveja com a garçonete junto. Se existisse afinidade com o cliente – testada na mesa do bar – o serviço continuava lá em cima, no quarto, em troca de mais dindin. As meninas eram chamadas de serveuses montantes (garçonetes que subiam, tradução livre). Hoje em dia o prédio, tombado pelo Patrimônio Histórico, é um restaurante intitulado Bouillon Racine.

*Imagem do destaque: Henri Toulouse-Lautrec – Salon de la rue des moulins

Quem escreveu

Cibele Maciet

Data

25 de April, 2017

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Cibele Maciet

Cibele é jornalista paulistana com Mestrado em Comunicação e Informação pela Sorbonne. Mora em Paris desde 2009 e ainda acredita na imprensa escrita, apesar de amar a internet desde 2000. Já morou em Berlim e não perde a oportunidade de flanar por Paris e pelo mundo e depois contar tintim por tintim aqui no Cop, no Almostlocals.com e no Blogdacibele.com

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Comentários

  • silenzio dentro, sto aspettando il mio amico, il mio bello
    - eni cristina lucia vieira

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