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Turismo sustentável: compras do bem

Quem escreveu

Renato Salles

Data

03 de February, 2016

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Outro dia, no meio de uma entrevista frugal sobre viagens, um amigo e eu entramos em uma discussão sobre como o ato de fazer uma compra vem carregado de significado político. O que você compra, onde compra, como paga e como escolhe, cada detalhe revela um pouco sobre a sua visão de mundo. Pense bem, você prefere preço ou qualidade? Conforto ou estética? Marca ou design? Shopping ou loja de rua? Ou internet? Sabe de onde vem o que compra? Como foi produzido? O valor real e o agregado? E essa marca é sustentável? Ela não polui? Paga direito os funcionários? Divide parte dos lucros com a comunidade? Difícil responder a tudo, não?

Parece que quanto mais lutamos por um lifestyle digno e ecologicamente correto, mais a cadeia produtiva humana se torna esquiva, para não dizer maculada. Sabe aqueles produtos orgânicos que você compra feliz da vida, sabendo que vem direto do produtor rural, sem agrotóxicos e outros produtos químicos? Então, até ele já foi. A ganância humana não tem limites e afeta até as mais singelas atividades produtivas. Sempre tem uma propinazinha fechando os olhos de alguma fiscalização, um lixinho tóxico despejado num canto da floresta, ou um glutamatozinho dando um gostinho de quero mais. Ninguém escapa, infelizmente.

Shutterstock - Belovodchenko Anton
Shutterstock – Belovodchenko Anton

Ok, mas se as minhas compras são projeções da minha moral, como ser 100% correto em um mundo tão deturpado? Sinceramente, eu acho que ninguém vai conseguir. Você pode sempre procurar produtos artesanais de empresas de pequeno porte, mas o alcance delas pode ser restrito. Com as grandes corporações, o que é possível fazer é tentar se informar sobre as empresas produtoras, valorizar aquelas que priorizam a ética sobre o lucro e, principalmente, evitar ao máximo consumir daquelas que usam meios escusos para ganhar mais. Mais fácil é partir do princípio que nenhuma marca é santa, sendo que algumas são bem piores que outras.

Aqui, a melhor arma que temos é mesmo a informação. E, procurando direito, é o que não falta. Alguns sites especializados catalogam marcas pelos crimes que cometem, sejam eles contra a lei, os direitos humanos ou o meio ambiente. O Peta lista todas as marcas que fazem testes com animais aqui. O Rank A Brand tem um trabalho extenso e super atualizado sobre empresas do mundo inteiro nas áreas de vestuário, viagem, telecom, alimentação, digital, eletrônicos e energia. O Facing Finance mantém uma lista de companhias que se beneficiam da produção de armas ou violações de direitos humanos, poluição, corrupção ou leis internacionais. O Ethical Trading Initaitive é uma aliança de companhias, uniões comerciais e ONGs que promovem o respeito pelos direitos trabalhistas no mundo. O FairTrade International certifica empresas sustentáveis com um selo de garantia de sua ética. Até o Brasil tem seus heróis, como no caso do app Moda Livre, da ONG Repórter Brasil, que monitora o trabalho de mais de 40 grifes tupiniquins. Esses são só alguns exemplos dos muitos sites onde se pode encontrar mais conteúdo desse tipo.

Protestos na Inglaterra (foto: http://www.usnews.com)
Protestos na Inglaterra (foto: http://www.usnews.com)

Eu cheguei a fazer uma pesquisa com um grupo de amigos e conhecidos sobre as marcas que eles enxergam como realmente éticas e sustentáveis, mas os resultados foram desanimadores. A maioria respondeu que é mais fácil acreditar no coelhinho da Páscoa. Mas mergulhando a fundo, cheguei a algumas empresas de alcance internacional e que podem ser consideradas melhores que maioria. Nesse mundo imperfeito em que vivemos, na falta de ótimos, podemos pelo menos incentivar os bons:

Muji – a empresa japonesa vende desde cotonete até mala de rodinhas, com um apelo minimalista muito forte, somado a um conceito muito bem estruturado em torno da simplicidade, modéstia e humanidade. Produtos sem identificação, neutralidade e utilidade norteiam o CRS (corporate social responsabilities) deles, contrastando com a ostentação e o consumo desenfreado que guiam o mercado.

Uniqlo – também do Japão, é a rede de fast-fashion mais bem vista em termos de sustentabilidade, pois prega o consumo moderado, o prolongamento da vida útil das roupas e a reciclagem. Hoje ela enfrenta uma série de acusações de relação com trabalho escravo em países pobres, mas é sem dúvida uma das mais comprometidas com a ética nesse meio.

Aesop – marca australiana de cosméticos, une, com grande eficiência, um trabalho estético impecável, produtos sem uso de corantes e aromas artificiais, embalagens recicláveis e proteção dos animais. Apesar do que se acredita, eles não se comprometem a fazer produtos naturais, e sim produtos saudáveis com o melhor do que a ciência e a natureza têm a oferecer.

The Body Shop – outra companhia de cosméticos, a Body Shop foi uma das pioneiras no marketing verde, em 1976, quando foi fundada. Mesmo depois de ser vendida para a L’Oreal em 2006 e de muitos escândalos envolvendo práticas não muito sustentáveis, ela mantém princípios éticos rígidos referentes ao uso de ingredientes Community Fair Trade e não realiza testes com animais.

Toms – dentre todas as grifes mais conhecidas do mundo, a Toms é a que possui o programa mais agressivo de contribuição para causas sociais. O ‘One for One‘ opera entregando um par de sapatos, um óculos ou uma semana de água limpa para alguém necessitado a cada compra de sapato ou acessório feita online ou nas lojas físicas.

Você conhece outras marcas bacanas desse tipo? Divide conosco nos comentários, ajudando a difundir o consumo consciente.

Foto do destaque: Shutterstock – Rawpixel.com

Quem escreveu

Renato Salles

Data

03 de February, 2016

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.