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Lanzarote, a ilha de Saramago

Quem escreveu

Alecsandra Matias

Data

06 de September, 2016

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Que tal tomar um bom café português na casa do escritor José Saramago? Impossível? Que nada! Basta ir a Lanzarote! A 140 km da Costa da África e a mil da Península Ibérica, no extremo oriental do arquipélago das Canárias, localiza-se a acolhedora ilha e a casa-museu do escritor, Prêmio Nobel de Literatura em 1998.

De beleza sem igual, formada por vulcões adormecidos, enormes crateras e rios de lava solidificados, a ilha foi descoberta por navegadores genoveses em 1312. O Parque Nacional de Timanfaya, por sua paisagem vulcânica e formas geológicas incomuns, é uma de suas atrações turísticas mais conhecidas. Todos esses atributos naturais fizeram com que a UNESCO declarasse Lanzarote como Reserva da Biosfera em 1993.

Papagayo Beach em Lanzarote (foto: Lviatour - Creative Commons)
Papagayo Beach em Lanzarote (foto: Lviatour – Creative Commons)

Não foi atoa que, em 1991, José Saramago e sua esposa Pilar del Río apaixonaram-se pelas terras surreais de Lanzarote e resolveram fixar residência no lugar. Na casa, situada no município de Tías, o escritor criou obras como Ensaio sobre a cegueira e A viagem do elefante. A casa foi transformada em museu no ano seguinte à morte de José Saramago, em 2010. E o mais bacana é ter a sua casa aberta a visitas!

Pelos cômodos, o visitante pode escutar num áudio-guia detalhes da vida de Saramago, narrados a partir de textos escritos por Pilar. Os espaços da casa são desvendados pouco a pouco, como se fossem partes sucessivas de uma experiência literária intensa e viva. As lembranças e a presença do escritor surgem a cada instante.

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(foto: divulgação)

Na biblioteca, entende-se porque o escritor dizia que sua casa era feita de livros. São 16 mil exemplares, além de objetos pessoais, como o seu computador. Nela ainda encontram-se obras com dedicatórias de escritores como Gabriel García Márquez e Eduardo Galeano. Já o escritório abriga dicionários, fotografias de familiares, coleções de tinteiros, canetas e corta-papéis. Destaque para uma cópia do Prêmio Nobel de Literatura (o original está na Biblioteca Nacional de Portugal).

Se os espaços de trabalho de Saramago são tão espetaculares, os de descanso são charmosíssimos. A sala tem diversas telas que retratam personagens de seus livros, assim como obras de Oscar Niemeyer e Carybé. Nessa conta, nem se coloca a vista deslumbrante do jardim e do mar. O quarto é marcado por ser o local da morte do escritor, mas não deixa de ser fascinante ver os livros, as fotografias e as gravuras que conviviam na intimidade do casal.

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A biblioteca (foto: divulgação)

Em um dos cômodos, chamado de galeria, encontram-se expostos o tapete de pedra vulcânica – xodó de Saramago – e, uma coleção de arte portuguesa datada do século XVII.

Uma vez na cozinha, se pode tomar o café português que prometi no início do post! (É sério! Os guias preparam o café para você!) Com vista para o jardim, essa cozinha já recebeu Bernardo Bertolucci, Carlos Fuentes, Eduardo Galeano, Pedro Almodóvar e Sebastião Salgado. E, no jardim, ainda está lá a cadeira onde Saramago sentava para sentir o vento e admirar o Maciço de los Ajaches, área vulcânica que fica ao sul da ilha.

Vídeo A Casa José Saramago from A Casa José Saramago on Vimeo.

O melhor período para visitar a ilha e o museu-casa de José Saramago é no começo do outono. Não é por causa da temperatura não! Em Lanzarote, o sol sempre é amigo. O problema é a fuga do inverno europeu. Na alta temporada, a ilha ferve de gente. O museu fica aberto de segunda a sábado, das 10h às 14h (a última entrada é às 13h30). Então, fique esperto!

Se depois de tomar um cafezinho com Saramago, você quiser algo mais hardcore, que tal uma visita ao Museu Atlântico de Lanzarote: Biosfera, Arte e Natureza? Pegue sua roupa de mergulho e adentre nos domínios de outro deus, desta vez, Poseidon. Isto porque o museu é composto por esculturas que estão a 14 metros sob a superfície. Elas foram desenhadas e esculpidas pelo artista britânico Jason de Caires Taylor e convidam a refletir sobre a crise dos refugiados na Europa. Mas, esta é outra história tão interessante quanto as escritas por Saramago! Outro dia, eu conto.

Museo Atlantico (foto: divulgação)
Museo Atlantico (foto: divulgação)

Foto do destaque: a cadeira de Saramago (divulgação)

Quem escreveu

Alecsandra Matias

Data

06 de September, 2016

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Alecsandra Matias

Rata de galerias e museus, não perde a oportunidade de ir procurar aquela tela, escultura ou monumento famosos que todos só conhecem pelos livros.

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