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As ondas de Sumatra

Quem escreveu

Noo

Data

02 de August, 2015

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Mais uma vez lá fui eu para o outro lado do mundo, mais precisamente em Karang Nymbor, 6 horas de carro de Bandar Lampung, uma ilhota no Sul de Sumatra, Indonésia. Fui gravar o último destino da terceira temporada do programa que eu dirijo, o “Sol & Sal”, do canal OFF, depois de 20 dias entre Angola e São Tomé e Principe, na África. E me deparei com um lugar distante, quente e acolhedor.

Os mercados nas ruas: pimenta e curry. Foto: Carla Lima Rocha
Os mercados nas ruas: pimenta e curry. Foto: Carla Lima Rocha

Já tinha ido para Indonésia, mas Karang não possui caixas eletrônicos, grandes mercados ou qualquer infraestrutura que você acha que precisa para viver. Já no primeiro dia me cortei no coral, em uma direita bem rasa e tubular em Krui right, enquanto eu filmava de dentro d’água. Nada sério, mas já cheguei com o pé direito! As ondas de Sumatra são plásticas, naquele estilo de desenho de caderno na época da escola.

A foto clássica: família na moto. Foto: Carla Lima Rocha
A foto clássica: família na moto. Foto: Carla Lima Rocha

Eu dormia em um quarto sozinha e, como toda chocólatra, tenho uma barrinha ao lado da cama caso venha a larica da madrugada. Na primeira noite, escutei um barulho e, meio sonolenta, abri o olho, coloquei a luz do celular para dar uma checada e nada vi. Voltei a dormir, mas é claro que já sabia dos morcegos, baratas e etc. Preferi acreditar que realmente não era nada. Na noite seguinte, o mesmo aconteceu, só que dessa vez o barulho foi mais alto e o chocolate foi parar no chão. De novo, tomei aquele susto, joguei a luz do celular e nada vi, mas dessa vez, algo aconteceu e pensar que não era nada foi mais difícil. Eu tinha duas opções: ou sair correndo para fora do quarto, gritar e correr o risco de ser atingida por um morcego ou pisar no cocô das vaquinhas ou me enganar de novo de que “o corpo não identificado” já tinha ido embora. Acreditei na segunda opção. No dia seguinte, por desencargo de consciência fui perguntar para o Viu (guia do hotel) se existia a possibilidade de entrar algum rato no quarto. Sim, eu disse R-A-T-O, e o guia, com a maior calma do mundo, afirmou que sim, já que o banheiro, que eu tinha achado superestiloso quando cheguei, era aberto, e a tela de proteção nem sempre dava conta. Tentei reagir na mesma calma que ele e mostrei o pacote do chocolate com uns furinhos ao lado, mordidinho. Ele olhou e afirmou que o corpo estranho era mesmo um rato e não satisfeito, quando eu fui jogar o chocolate fora, me questionou: “Ué, você vai jogar fora?”. Eu confirmei que sim balançando com a cabeça e ele retrucou: não, ele só comeu um pedacinho, então me dá que eu como o resto!!! Arrghhhhhhhh ok, estilo indonésia de se comer.

Pranchas em posição na pousada. Foto: Carla Lima Rocha
Pranchas em posição na pousada. Foto: Carla Lima Rocha

Falando em cozinha, comida indonésia e tal, paramos em um boteco onde eu mal se conseguia decifrar o que era o que. Quando vi o motorista comendo com as mãos imundas, as unhas grandes e sujas e dizendo que estava uma delícia, preferi ficar no “migoren” de caixinha (macarrão típico). Eles comem muita enguia.Todo cuidado é pouco com a comida, água e banheiro (a privada pode ser um buraco no chão). Diminuir o risco de pegar “Bali Beg” (bactéria transmitida pela comida) é sempre um ponto a se prestar atenção.

O motorista comendo com a mão e o meu macarrão instantâneo. Foto: Carla Lima Rocha
O motorista comendo com a mão e o meu macarrão instantâneo. Foto: Carla Lima Rocha

Voltando às ondas, o Luxury Hotel, onde me hospedei, fica em frente ao pico de Karang Nymbor, uma esquerda extensa e com entradas e saídas difíceis, de coral raso e afiado. Em um dia de swell acima dos 6 pés, as meninas foram surfar e eu, logicamente, filmar. Para varar a arrebentação, meu técnico de áudio, Bruno Frene, virou salva-vida e entrou comigo para garantir que eu não fosse me machucar. A previsão do mar era subir. Não deu outra, com o coral na canela, tínhamos que esperar a série passar para nos jogarmos e nadar o mais rápido possível com a minha caixa estanque “levinha”, de 6 quilos, em direção ao outside, antes que entrasse a próxima série. Depois de um certo tempo, chegou a calmaria, fomos no gás total e tudo deu certo. Filmei um pouco, mas comecei a me sentir desconfortável naquele mar onde cada série que passava vinha maior e mais pesada.

Eu me preparando o trabalho em Karang Nymbor. Foto: Marcelo Dovalo
Eu me preparando o trabalho em Karang Nymbor. Foto: Marcelo Dovalo

 

Decidi sair junto com o meu salva-vida e aí, a emoção que eu achei que tivesse acabado na entrada, começou na saída. Esperamos a última onda da série para remar para dentro do pico e sair pela bancada rasa que entramos. Antes de entrarmos no mar, alguns locais nos alertaram que se caíssemos no local errado, poderíamos morrer, como já havia acontecido com outras pessoas, por causa da força da maré e das famosas cavernas. É claro que eu pensei: nossa, que pessoal exagerado, que morrer o quê!

Eu e Bruno decidimos a hora e nos esforçamos ao máximo, mas quando estávamos a um passo da bancada para ficar em pé, senti só aquela forcinha delicada da água me puxando e, advinha? Caí na porcaria da caverna! Até aí, preocupada com a lente da minha caixa-estanque, mantive-a mais afastada do coral e com a outra mão tive que segurar forte no coral para não ser puxada para o fundo da caverna. Estava com a cabeça ainda fora da água. O Bruno, que estava a um metro de mim, olhando para o outside, gritou: segura que vamos ser arrastados, mantém o corpo leve!” E eu, com o que ainda tinha de força, gritei: Nãoooo consigo subir!! Neste momento, ele se deu conta que eu estava para baixo e não ao lado dele!

Agora relembrando foi engraçado, mas na hora foi terror e pânico geral. Ele arregalou os olhos e falou: quando eu contar até 3 solta a mão e bate a perna forte! E lá fui eu… Ele segurou o meu braço e eu voei, literalmente, para o lado dele. Por alguns instantes eu estava salva, até vir a série e nos arrastar. Ele se jogou em cima da prancha e eu sem prancha, pensei tudo aquilo que aprendi em tantos anos de surfe e filmagem dentro d’água: caixa-estanque, lente, corpo leve, deixa ser arrastada! Hahahaha

Em ação. Foto: Marcelo Dovalo
Em ação. Foto: Marcelo Dovalo

No final deu tudo certo. Saí quase ilesa, alguns cortezinhos na mão, joelho, mas nada que fosse perto do que se machucar direito para os padrões da Indonésia. Vi que o meu preparo estava em dia e que a cabeça se manteve no lugar. Valeu Brunão, salvou, e valeu também meus treinadores Gabriel (Surflates) e o ultraman Alexandre Ribeiro, que estendem meus limites no treino para que, na hora do perrengue, eu consiga manter a calma.

Na praia. Foto: Álbum de viagem
Na praia. Foto: Álbum de viagem

No final de 10 dias naquela ilhota, a conclusão foi: quando estiver exausta do treino, treine por mais 20 minutos. Sempre que for para esses lados da Indonésia, leve comida na mala, aproveite cada momento daquele carinho das crianças indonesianas e cada onda quebrando perfeita. E dê valor à cama da sua casa!

Se eu faria tudo de novo? Agora mesmo!


Esse texto foi originalmente publicado pela , da NOO, parceiro de conteúdo do Chicken or Pasta.

Foto destaque:  pfshots / Shutterstock.com

Quem escreveu

Noo

Data

02 de August, 2015

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Noo

http://noo.com.br/

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